Translate

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Arde a Chama em nossos corações!

O que move essa multidão de homens, mulheres e crianças ao redor das nossas tradições?
O que faz com que as multidões compareçam para assistir aos eventos e permaneçam, apesar do intenso frio e forte vento, até o final?
O que mantém a ordem e a harmonia quase religiosa entre todos: multidão, cavalarianos e inclusive os cavalos?
Constatei com alegria, que muito mais do que cultuar o passado rico da nossa história é a união em si, no Presente, o que transforma esses momentos em algo mágico.
Neste último sábado, dia 20 de agosto de 2011, ocorreu a abertura dos festejos Farroupilhas na cidade de Taquara,RS.

Uma organizada e linda festa, com público aproximado de 10 mil pessoas e 3 mil cavalarianos de todo estado.
O evento teve patrocínio de empresas e grande apoio do poder público municipal.
Quando recebi o convite da Comissão Organizadora da Chama Crioula 2011 para confeccionar um símbolo para o evento, sabia da grande responsabilidade, pois sei da importância do evento para todos nós. Ele ultrapassou os limites das entidades tradicionalistas, ganhando a admiração do povo gaúcho.Senti-me honrado, com a realização desta obra, principalmente em se tratando de evento grandioso da cultura do nosso estado.
A oportunidade de realizar esta obra surgiu pela crescente divulgação de meus trabalhos entre o meio gauchesco. O Monumento ao Payador Jayme Caetano Braun e a escultura de Sepé Tiaraju são admirados por muitos tradicionalistas.
Para idealizar a escultura símbolo, associei simplesmente o nome do evento "Chama Crioula" com o nome da cidade "Taquara", imaginei uma taquara em chamas, iluminando caminhos.
A mesma taquara que antigamente por estes pagos foi lança e hoje é balaio, transformada em tocha e servindo de luz para todos nós.
Para dar mais impacto ao símbolo, acrescentei um braço forte (inspirado na escultura de Sepé Tiaraju) porém com camisa arremangada segurando a chama.
A escultura saiu fielmente ao desenho e a maquete.
Toda feita manualmente, em concreto armado; com 2,65 m de altura e 350 kg.
Foi realizada em dois meses de trabalho.





















No ato inaugural estava presente o sr. Alcy Cheuiche, uma pessoa que muito prezo. A sua obra literária sobre a vida de Sepé Tiarajú é fundamental para nós são-luizenses, ela conta com detalhes a vida do filho ilustre de São Luiz Gonzaga.
São Luiz Gonzaga e as Missões estavam representadas no lançamento oficial dos Festejos Farroupilhas de 2011 através do Coordenador da 3ª Região Tradicionalista Sr. Salvador Gomes, do cavalariano e gaiteiro Ademar da Rosa, do representante do Atelier de Artes los Libres Arno Schleder; de Cássius Ribeiro e deste escultor.
Fomos acompanhando a comitiva da cidade de Itaqui.
Juntamente com professor Arno e Cássius Ribeiro, nos hospedamos excelentemente na residencia do Coordenador do evento sr. Aécio Gampert e família. 
Fomos muito bem tratados, por todos. 
Ficou em nós, uma impressão positiva da cidade, que se preparou para o evento e dos amigos que lá fizemos.
A organização do evento é algo a parte. Após meses de trabalhos intensos, culminou com êxito o acendimento da Chama. Inúmeros detalhes, chamaram minha atenção: desde a decoração das lojas e suas vitrines, até a limpeza imediata das ruas por onde passaram os cavalos, feita pela atuante prefeitura.
Acredito que um dos segredos do sucesso deste evento foi o apoio fantástico recebido pela administração municipal de Taquara. Isso confirmado pelos integrantes da comissão.
Que sirva esse belo exemplo para todos administradores deste Rio Grande.
A força turística desse evento é enorme e surpreendentemente ainda não foi positivamente explorada nacionalmente.
Se o MTG, os cavalarianos, as pessoas que dedicam parte de sua vida nessas demonstrações de amor pelas tradições, soubessem a força que têm, saberiam reivindicar uma maior divulgação por parte da grande imprensa.
Isso aconteceu em Recife com o Frevo, em Parintins com a Festa do Boi e São Paulo com seus rodeios. Nem cito Rio de Janeiro e o carnaval.
Chegou a vez dos nossos tradicionalistas começarem a divulgar seus feitos a todo pulmão. Não basta apenas pensar, há que fazer e não basta fazer há que divulgar.
Seguindo as normas, cumprindo as regras, não há o risco de desvirtuarmos nossas tradições, alguns temem isso quando se fala em grande divulgação nacional. O mundo precisa saber da nossa história, não queremos o orgulho cego que diga aos golpes de peito:"Ela é a melhor!" ; pois sabemos respeitar as demais, mas queremos mostrar que a nossa é sim: Riquíssima!
Fica aqui meus sinceros agradecimentos á população hospitaleira da cidade de Taquara.











Visite o site do amigo Paulo de Freitas Mendonça e saiba mais sobre a sua preocupação com a difícil e rara arte da Pajada.
http://www.nativismo.com.br/paulodefreitasmendonca/

















Visite o blog do grande Léo Ribeiro, é indispensável para aqueles que cultuam nossas tradições gaúchas.

http://blogdoleoribeiro.blogspot.com/


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Acendimento Chama Crioula 2011 em Taquara




Todo ano, aqui no Rio Grande do Sul, no mês de setembro ocorrem as comemorações referentes à Revolução/Guerra Farroupilha*
O símbolo sagrado para todos os tradicionalistas é a Chama Crioula Farroupilha
É ao redor dela que todas as nossas tradições são cultuadas.
Ela possui em sua essência o poder de evocar em todos nós gaúchos, um sentimento de amor e admiração pelas nossas raízes, nossa história e cultura.
Cada ano uma cidade é escolhida (em votação feita pelos CTGs*) para sediar a chama. E para lá se dirigem os cavalarianos de todas as cidades deste estado para pegarem uma centelha dessa chama e repassarem às suas comunidades e desta forma dar início nas comemorações da semana Farroupilha. 
O desfile do dia 20 de Setembro é o ápice de todas as festividades, mas é a chama viva daquele fogo que aviva em todos nós o amor por este chão.
Grande honra para mim foi ter sido convidado para fazer uma escultura para a cidade de Taquara (cidade sede deste ano) representando essa Chama Crioula.
O processo de criação, foi muito lógico: Uma "taquara em chamas", acredito que todos teriam a mesma idéia, nada poderia ser mais representativo para um evento onde o nome é "Chama" Crioula na cidade de "Taquara"(nome de vegetação caracteristica do nosso estado, vegetação esta, muito usada pelos nossos índios; antigamente nas suas lanças, hoje em seus balaios.)
A princípio fiz apenas uma tocha de taquara em chamas, mas ví que algo faltava e descobri isso ao ver braço erguido da escultura minha de Sepé Tiaraju. 
Uma tocha sozinha não teria a força que o evento merece.
Então fiz desenho de braço forte segurando uma tocha em chamas de taquara. 
O desenho foi plenamente aprovado pela comissão responsável pelo evento "Chama Crioula 2011".
A escultura propriamente dita, consiste em um braço forte de concreto armado com 2,65 metros e 350 kg, segurando uma tocha de taquara em chamas, como que representando um sol iluminador.

Esclareço, quase que enfadonhamente, esse processo todo, para que não paire nenhuma dúvida de onde me inspirei.
Li um comentário da semelhança dela com a tocha da estátua da Liberdade.
Acho isso injusto, pois deveria então ser parecido com o Colosso de Rodes, pois foi dessa grande obra do escultor grego Cares, que o autor da estátua da Liberdade, o francês Frederic Bartholdi se baseou... Mas não me inspirei em uma nenhuma delas.
É que qualquer braço levantado e ainda mais com uma tocha, sempre remeterá a lembrança de uma ou de outra.
Abaixo reproduzo o comentário, que apesar de poucas palavras achei interessantíssimo, pois faz refletirmos sobre nossa própria história farroupilha. 
Mais abaixo ainda, minha resposta:

Comentário:

"achei estranho o monumento, o braço da estatua da liberdade? o que tem aver com nossas tradições?"
Silvio!
Minha resposta:
Saudações sr. Silvio!
Lí seu comentário sobre minha escultura da Chama Crioula, no site TCA e não consegui postar resposta...
A idéia do braço forte segurando a chama em uma taquara, foi inspirada em minha outra escultura, a que homenageia a Sepé Tiaraju e que está aqui em São Luiz Gonzaga.
Não foi inspirada na obra do francês Frederic Bartholdi(o que fez e presenteou os americanos com a estátua da Liberdade), Bartholdi sim, segundo ele próprio, se baseou no Colosso de Rodes, estátua monumental do escultor grego Cares.
Bartholdi e o grupo idealizador da estátua da Liberdade eram todos maçons e tinham como meta propagarem os ideais maçônicos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade os mesmos ideais que nortearam Bento Gonçalves, Garibaldi e todos lideres farroupilhas, nossa história farrapa está cheia de simbolismos maçons, desde a bandeira até o hino.
Sua pergunta me fez refletir e ver sobre tudo isso, de que existe muita coisa em comum entre a Guerra Farroupilha e a estátua da Liberdade.
Mas não se preocupe pois não me inspirei nem no Colosso de Rodes, nem na Estátua da Liberdade, muito menos na Chama Símbolo de Volgrado(Ucrânia); a Chama Crioula de Taquara foi inspirada no filho ilustre de São Luiz Gonzaga chamado Sepé Tiaraju!
Outra obra minha é a homenagem ao também filho desta terra, chamado Jayme Caetano Braun ao qual tenho muita honra em ser seu primo 3º. Chama-se Monumento ao Payador, de seis metros de altura e convido a todos para conhecerem.
Visite meu blog e veja lá um pouco do meu trabalho: viniciusribeiroescultor.blogspot.com
Espero nos encontrarmos na inauguração da escultura no próximo dia 20, para conversarmos sobre esse fascinante tema.
Um forte abraço Missioneiro!
Vinícius Ribeiro-escultor




Logo farei postagem sobre a relação da estátua da Liberdade e a revolução farroupilha.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_Tradi%C3%A7%C3%B5es_Ga%C3%BAchas



terça-feira, 31 de maio de 2011

Genealogia da Justiça


"Ó tu que trabalhas com a lei!!(ou pra quem está meio enrolado com ela)"

Aqui te advirto:

Sabes qual o simbolismo da Deusa da Justiça?

O que significa sua imagem??

Devido ao fato de estar fazendo a escultura da nossa "Justiça Missioneira",que será colocada na entrada do novo Fórum, a ser inaugurado em setembro aqui em São Luiz Gonzaga, me aprofundei sobre a história da deusa da Justiça.
Sinto-me honrado com essa missão, principalmente por estar plenamente amparado pelo nosso Judiciário local e pela OAB-subseção SLG.

Reparto com os interessados o pouco que já sabia e o muito que descobri desta fascinante simbologia milenar.

A referência primordial que sei sobre a figura representando a justiça é egípcia e chama-se: Maet ou Maat, deusa que representava o equilibrio e a justiça para os egípcios; ela pesava em uma balança o coração do recém desencarnado. 
Num prato da balança colocava uma pena, no outro o coração do morto; quando a pluma equilibrava com o coração o réu ganhava o paraíso, pois era sinal de ter levado uma vida virtuosa, do contrário, quando o coração pesava mais que a pluma, significava uma vida de vícios e defeitos, era então comido por Ammit a divindade mais temida do antigo Egito, que com sua cabeça de crocodilo, devorava aos pecadores.
Para presidir esse julgamento, sempre estava presente a figura de Anúbis o grande juiz das almas.

Mas é na mitologia grega que a figura da justiça ganhou outras variações.
Sob forte influência egípcia, e de outros povos que para lá foram, a Grécia antiga moldou seus deuses. 
É a famosa Teogonia Grega!
Ou seja, a formação dos deuses gregos, onde por essa genealogia se explicava a criação do mundo.
Antes de mais nada é bom entender que tudo são simbologias, onde os antigos gregos explicavam(muito antes da Bíblia) o princípio da criação; não se pode levar ao pé da letra...
E muitos historiadores apresentam versões diferentes sobre o tema.
Com relação a deusa da Justiça, toda história centraliza-se em:Têmis (a deusa dos tribunais e juramentos, a protetora da ordem e da lei) e mais tarde sua filha Diké( a verdadeira deusa da justiça para os gregos).
Comecemos então, a interessante e complexa teogonia grega, na parte que nos referimos:
No início existia o Caos
e dele, nascem Gaia, Tártaro(deus dos mundos inferiores), Eros (deus do amor), Érebo(deus do vácuo) e Nix (deusa da noite).
Gaia, a deusa da terra, gera por partogênese (reprodução assexuada): Urano(deus do céu), Ponto(deus do mar) e as Óreas (as montanhas).
Gaia e Urano geram os 12 Titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto, Téia, Reia, Têmis(eis a nossa pioneira da Justiça), Mnemosine, Febe e Tétis; e depois nasceu Cronos, aquele que mais tarde castrou o próprio pai, Urano(tirano que odiava os filhos).
Foi devido a esse ódio de Urano aos filhos, que Gaia, tentando afastá-los do pai, enviava eles para longe, foi o que aconteceu com a nossa Têmis, Gaia enviou ela para ser cuidada pela sua irmã Nix, a deusa da noite, acontece que Nix estava cansada de ter gerado incessantemente filhos(uma caçambada) e reenviou Têmis, junto com Nêmesis(a então, mais recente filha de Nix) para serem educadas pelas Moiras(irmãs Cloto, Láquesis e Atropo), deusas do destino e filhas mais velhas de Nix. 
As deusas Moiras acabaram criando as primas Têmis e Nêmesis, e mais tarde, as Erínias( deusas também chamadas de: As tres fúrias). Eram elas: Tisífone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Interminável) essas três gurias "nasceram" do sangue de Urano quando castrado por Cronos e que salpicou em Gaia.
 
Mas voltando a Têmis e Nêmesis: O fato de serem educadas pelas Moiras foi determinante para elas, aprenderam sobre a ordem, o equilíbrio natural de tudo. 
As Moiras eram as deusas do destino, da vida e da morte, tanto dos deuses como dos homens, cada uma representava uma função: Cloto era a que fiava no tear chamado "A roda da fortuna" o fio da vida de cada um, Láquesis era a que determinava o comprimento do fio e Átropos era a que cortava o fio determinando o momento da morte de cada um. 
As quase irmãs, Têmis e Nêmesis além de muito belas, tiveram a mesma educação e tinham como mesmo símbolo a balança, mas cada uma apresentava suas diferenças: Têmis era a deusa da ordem, da ética e da prudência; já Nêmesis era a deusa da lei ao pé da letra, sem misericórdia, era vingativa contra o orgulho, arrogância e tudo aquilo que era contra a lei e a ordem, era implacável; até hoje o nome Nêmesis é sinônimo de pior inimigo
Um dos que ela aplicou uma lição foi em Narciso o "bonitão", dizem que a muherada desesperada pelo fato de Narciso não dar a bola para elas, resolveram apelar para Nêmesis, ela enfeitiçou um lago onde ele se apaixonou pelo seu reflexo e definhou até morrer...
Têmis por sua vez era a defensora dos oprimidos, dos que precisavam de auxílio perante tribunais ou a lei. 
Ela falava aos homens através dos famosos oráculos, e o dela era o famoso Oráculo do Templo de Delfos, aquele onde diz no frontispício:  
“Te advirto, quem quer que sejas, oh tu! Que desejas sondar os mistérios da natureza.
Como esperas encontrar outras excelências se ignoras as excelências de tua própria casa?
Em ti está oculto o tesouro dos tesouros. Oh homem! Conhece-te a ti mesmo… e conhecerás o Universo e os deuses.”
A prudente e diplomática Têmis casou-se com Zeus, foi a segunda esposa dele e dizem por aí que foi ela a responsável pelo amadurecimento de Zeus, incutindo nele exemplos de harmonia, prudência e justiça, foi sempre a grande conselheira dele.
Com Zeus, Têmis teve várias filhas: As chamadas Horas(ou estações)as três primeiras chamavam-se, Irene (paz), Diké (eis a nossa herdeira da justiça) e Eumônia (disciplina)e as outras nove Horas, são as guardiãs da ordem natural, do ciclo anual de crescimento da vegetação e das estações climáticas anuais, são elas: Talo, Carpo, Auxo, Acme, Anatole, Disis, Dicéia, Eupória e Gimnásia.
A última filha de Têmis e Zeus chamava-se Astreia, era a deusa virgem da pureza e da inocência, que ensinava as coisas simples do cotidiano aos humanos, como a arte da caça, do cultivo do solo...Ela também herdou da mãe a balança como símbolo e muitos confundem ela como a deusa da justiça.
Mas foi Diké o verdadeiro símbolo da justiça para os gregos.
Nas antigas esculturas representando Têmis, ela estava sem vendas, pois tinha o dom da profecia e enxergava longe e não usava espada, pois ela representava o comum acordo
sua filha Diké, é representada com a mão direita sustentando uma espada em posição ativa (representando a força, a aplicação da lei), ou seja para cima, quase agressiva; na mão esquerda tinha uma balança de pratos, herança de sua mãe Têmis, representava a igualdade a ser alcançada, com o fiel da balança sem estar no meio, o fiel só iria para o meio após a realização da justiça, do ato julgado.
Ela sempre está descalça e com os olhos abertos ( numa alusão a busca pela verdade ou porque também tinha herdado o dom da profecia).






A atual figura que conhecemos da deusa da Justiça, é uma versão romana e tem toda diferenciação em seu simbolismo. Chama-se JUSTITIA
Usa vendas nos olhos, representação da justiça igual para todos, sem beneficiar ninguém, sendo imparcial, com igualdade de direitos para todo mundo. 
Nesta versão, o fiel da balança está bem no meio, simbolizando o equilíbrio a ser alcançado
A espada está para baixo, como que em descanso, sem ser agressiva ou assustadora, podendo ou não ser usada.
Vi algumas imagens dela com sandálias romanas.
De todas representações da deusa da justiça esta(ao lado) é a que melhor a representa, em termos de simbologias. 






Agora explicarei sobre a nossa: "Justiça Missioneira":

 
A ideia surgiu em 2009, após o presidente do Fórum da comarca de São Luiz Gonzaga: Juiz Luis Ântonio de Abreu Johnsons, solicitar-me uma das minhas estatuetas, da série:"Indias Missioneiras"(lindas por sinal, modéstia a parte) para regalar a magistrados superiores. Juntando-se a ele o imprescindível Presidente da OAB-SLG Jorge Ênio dos Santos(que organizou toda a campanha de financiamento da obra).
Pensei em algo diferente e único, a fim de divulgar nossa terra, nossa rica história. Surgiu a "Justiça Missioneira".
Terá na sua mão esquerda a balança, com o fiel no centro; na mão direita a lança(ao invés da espada) em posição de espera, sem ser agressiva, mas não menos atenta.
Usa venda nos olhos, enfatizando dessa maneira a necessária imparcialidade.
Terá uma pena na cabeça, simbolo da primeira de todas as deusas da Justiça: Maat e da herança guarany. 
Veste o tipoy, roupa que as indias vestiam nas reduções missioneiras, e como lembrança de suas raizes, o atado nas pernas, chamado tetymakuá(feito do cabelo trançado da menina guarany após sua primeira menstruação).
No pescoço um colar com presas de jaguareté, demonstrando sua bravura.
Acredito que simbolizará muito bem a Justiça na nossa terra, pois representará a seriedade, a valentia e determinação de todos aqueles que nela trabalham. 
Ela será belamente fixada na entrada do novo Fórum da comarca de São luiz Gonzaga.
A escultura será de concreto armado, terá dois metros de altura e pesará mais ou menos 900 kg.








Logo começarei a publicar as fotos das etapas da construção.



obs: Pra quem está meio enroscado com a Lei, no dia 08 de Janeiro é a data comemorativa dela e nada melhor que acender um incenso de lavanda pra fazer uma média.
Tudo ajuda...

     foto acima da escultura já pronta, postada neste blog, após ter feito esta postagem de maio de 2011.








sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sepé no centro de tudo!



Video sobre o translado da escultura "Sepé Tiaraju, São-luizense e Missioneiro"
Motivo do translado: remodelação do trevo.
Esclareço aos admiradores do homem que virou mito: Sepé, de que devido a isso, adiantaremos a campanha para construirmos o futuro "Monumento ao Esplendor Sepé Tiaraju".
A estátua foi colocada provisoriamente no gramado da frente da prefeitura, mas o local definitivo da escultura será um pouco mais ao lado, precisamente no lado esquerdo da entrada do prédio da prefeitura, onde será “imediatamente” construído um simples pedestal, com a altura suficiente para que seja escrito a seguinte e impactante frase, título da obra: “Sepé Tiaraju São-luizense e Missioneiro”.
A vinda desta escultura para o referido local,na frente da prefeitura, já estava programada desde 2007, quando tracei um audacioso, porem realizável, projeto: a construção de três grandes monumentos de seis metros de altura, um em cada trevo, fortalecendo o cartão de visita de qualquer cidade que são os seus trevos.
Digo que já estava programada esta vinda, pois lá no trevo será colocada uma nova escultura de Sepé Tiaraju, com proporções semelhantes a do monumento ao Pajador Jayme Caetano Braun. 
Esperávamos a construção da Praça Jayme Caetano Braun, para divulgarmos esse 2º monumento, seria o mais prudente, mas devido às obras do novo trevo, teremos que adiantar a sequência do projeto.
Dias desses, encaminhamos através do Atelier de Artes Los Libres, um ofício solicitando ao poder público municipal, a denominação do prédio da prefeitura de: “Palácio Municipal Sepé Tiaraju”
Aonde toda correspondência oficial irá esse nome. 
Esperamos que nosso pedido seja aprovado.
São atitudes simples, sem despesas para o poder público, porém de grande impacto, pois a figura de Sepé é admirada por todos gaúchos, devido ao seu feito em defesa ao seu lar. Precisamos salientar que Sepé Tiaraju é São-luizense antes que outros levem aquilo que somos herdeiros.
Logo lançaremos a campanha para realizarmos o “Monumento ao Esplendor Missioneiro” Sepé Tiaraju, de seis metros de altura em concreto armado; será realizado no velho estilo das missões, o do mutirão
Onde cada voluntário ajuda como pode!
Não tenho dúvidas que será um símbolo de força representando muito bem nossa terra.
O novo Sepé será menos estilizado que o atual, mas sem perder sua imponência.






Ao lado, maquete do futuro Sepé!


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Até em bronze de praça está a raiz da querência




















 
Recebi convite mas não pude ir na inauguração do busto em bronze do sr. Manoel Marchetti, na bela cidade de Ibirama, Santa Catarina. Em bonita inauguração neste último domingo, dia 15 de maio 2011, estavam presentes os familiares do homenageado, capitaneados pelo industrial sr. Genésio Marchetti, filho do sr. Manoel.










Uma curiosidade: A família Marchetti sempre foi  apaixonado por futebol, o Sr. Manoel foi presidente do Clube Atlético Hermann Aichinger, Sr. Genésio é o atual presidente e está fazendo um trabalho fantástico com as categorias de base, exaltando o talento dos atletas locais; um exemplo do sucesso desse trabalho é o centro-avante do Sport Club Internacional(RS) e da Seleção Brasileira: Leandro Damião, o qual o Sr. Genésio é proprietário do passe. 



domingo, 15 de maio de 2011

Pela Região a fora...Jornal Panorama Ijuí

Na tua terra, não espere fazer milagres, pois ninguém é sou santo.
Seja de casa e queira muito bem esta terra.
Que tua Arte seja divulgadora do teu torrão; assim como a de tantos outros.
  
 
"Tratem bem os de Casa que os distantes se aproximarão!"




Na bela entrevista da idem Damaris Rubert do Jornal Panorama de Ijui um pouco deste operário das artes. Clique na imagem que vale a pena ler( menos Batista, menos...)




















segunda-feira, 9 de maio de 2011

Protetora das águas video/montagem




Video/montagem das etapas construção "Protetora das Águas
".
Escultura em concreto armado, feito manualmente, retratando uma Guerreira guarany em dimensões estilizada, no estilo audaciosamente chamado de Realismo Missioneiro
Logo explicarei mais sobre esse fantástico estilo criado por este pretensioso operário das artes.
Com proporção de dois metros de altura e aproximadamente 1.100 kg.
Inaugurada em 23 de Abril de 2011, na residência da Família Dutra, São Luiz Gonzaga- Missões- Rio Grande do Sul.
Criação e execução: Vinícius Ribeiro escultor.
Entretanto a escolha da posição da estátua, foi sugestão do seu Olívio Dutra.

domingo, 24 de abril de 2011

Inauguração da Protetora das Águas

Depois de quase dois anos encomendada, recém sábado último(dia 23 de abril de 2011) inauguramos a tão esperada escultura"Protetora das Águas"
Seu Olívio Dutra, ex-ministro e governador do Rio grande do Sul, em suas várias visitas ao meu ateliê, havia exposto seu interesse em encomendar uma escultura para a residência da família Dutra, aqui em São Luiz Gonzaga. No local onde ele e seus irmãos cresceram sob o olhar e proteção dos pais: Cassiano e Amélia Dutra, já falecidos... 
Conheci seu Cassiano e D. Amélia em 2001, fui visitar a casa da família Dutra, pois sabia da existência das várias obras de arte lá expostas, dona Amélia mostrou-me toda casa com muita alegria.
Disse que uma das obras que seu filho Olívio, gostava, era uma pequena estatueta que retratava ele laçando, grande surpresa ela teve quando disse-lhe que eu tinha feito a estatueta em questão(vide foto).
A Protetora das águas, a princípio era para ser uma índia guarany, ajoelhada, com uma ânfora nos braços, jorrando água, tal como uma fonte, idéia original e criativa do seu Olívio. 
Esbocei uma guerreira com arco e flechas e com porongo despejando água em um pote de barro. 
Escolhi colocar armas para não dar muita impressão de submissão por estar ajoelhada e outro motivo é porque me encantam as guerreiras, elas representam muito todas as mulheres, toda mulher tem muito de guerreira...
O nome foi sugestão minha, para não confundirem com Iara a mãe das águas e nem com Iemanjá a rainha das águas, as quais sou muito fã das duas.
Hoje vejo que a figura representa além de um símbolo para a família Dutra, um símbolo de proteção das nossas águas do aquífero guarany e principalmente das nossas nascentes
Uma nascente é como uma criança, deve ser preservada.
Nesse tocante, São Luiz Gonzaga está muito bem servida pois vejo que há uma preocupação e ações de preservações das nossas nascentes, tanto pela atuante secretaria do meio ambiente, como da Aparp (associação de proteção ao meio ambiente); sei disso pois moro entre duas nascentes preservadas, uma no quarteirão em frente minha casa e a outra no quarteirão dos fundos, nas duas é proibido todo e qualquer tipo de construção ou danificação. Que eu seja também uma nascente no meio dessas nascentes, uma nascente de cultura e arte.

Neste último sábado, dia 23 de abril de 2011, deixei ali, no solo sagrado para os Dutras, um forte símbolo, materializado em forma de concreto armado, na proporção de dois metros de altura(1,75, por estar agachada) e pesando mais de uma tonelada. 
Foram três meses de dedicação para moldar mais uma obra no estilo que audaciosamente batizei de Realismo Missioneiro e como disse ao seu Olívio, daqui a uns cem anos ela terá um valor grandioso.
Lógico que a estatura de uma india guarany ou de qualquer mulher normal não é de dois metros de altura, mas essa proporção desproporcional me encanta...

Agradeço ao seu Samuel, dona Marlene e seu Olívio pela liberdade e confiança em poder criar mais este símbolo para nossa cidade.


































Protetora das Águas rumo a sua nova casa...










Quarta feira, 20 de abril de 2011, nos deslocamos com ela: A protetora das águas, até sua definitiva residência: a casa da família Dutra!
Lá onde cresceram, seu Olívio, Samuel, dona Marlene...
No lar construído pelo Sr. Cassiano e dona Amélia.
Tudo certo no translado do sempre competente Nenê, braço direito dos Guinchos Taborda
Noutra feita, fomos com ele até Porto Alegre levarmos uma estátua para o parque da Harmonia.Uma bela e outra história...
O peso dela passou dos 900 kg, calculo pelo estrago que fez nas rodas do meu carrinho, onde construí ela em cima.
A altura dela de dois metros é uma característica de um estilo que audaciosamente batizei de: Realismo Missioneiro.
Logo teremos outra índia para nascer e vir ao mundo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Um dia de Indio Soterrado



No dia do índio, pouco restou do esplendor missioneiro para comemorarmos... 
Guaranys não existem mais aqui e os poucos Kaigangues continuam sua eterna rotina de vender cestos e mendigar migalhas. 
Vivem nas Missões acampados pelas rodoviárias.
E o que recebem é uma lata de leite em pó e olhares de compaixão.
Como dizia Jayme Caetano Braun em seus belos poemas: "...Na bendita teimosia de continuar brasileiro..."

E os que tem poder de decisão, os designados e sabiamente escolhidos, ficam com uma só frase na mente:
"Índio não tem força de voto!"






Fiz esta estatueta chamada "Missões Soterrada" representando o fantástico mundo que foram as Missões Jesuítico-Guarany e o esquecimento proposital que a soterrou...
Como um apelo para rompermos esse véu de sonolência que tanto teima em nos sufocar...
Hoje ser índio, nestas terras e no seu dia, é algo que merece mais reflexão do que comemoração.











Abaixo, um poema sobre o tema.

terça-feira, 29 de março de 2011

Um símbolo para nossa Justiça

Após uma sequência de etapas vencidas, foi finalmente dado o pontapé inicial para realizarmos o nosso tão planejado símbolo: "Justiça Missioneira", que será colocado na entrada do novo Forum da comarca de São Luiz Gonzaga. 
A escultura será de concreto armado, terá dois metros de altura e pesará mais ou menos 900 kg. 
Criei ela em 2009 afim de ser símbolo para os que trabalham com a lei nas Missões. 
O diferencial dela é ser uma versão da deusa da Justiça totalmente inovadora, fugindo dos padrões greco/romanos.
Logo farei a maquete do modelo final e definitivo, o modelo nº 3.
Já tenho fotos da posição ideal após fotografar a minha modelo preferida: Maria Eliza. 
Em breve a nova maquete estará aqui. 
Abaixo veja modelos anteriores da escultura e foto da construção do Foro em andamento.








quinta-feira, 3 de março de 2011

Proteção às nossas Àguas


Maquete da escultura que estou fazendo para a família Dutra.
Simboliza a guerreira que traz água das fontes para a aldeia.
Chama-se:"Protetora das Àguas"
Logo postarei mais algumas fotos das etapas já construidas.
A obra está sendo feita em concreto armado. 
Ela têm dois metros de altura, agachada tem 1, 75m. 
Terá peso aproximado de 900 a 1000 kg.









segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

255 Anos depois










"Sepé Tiaraju
São-luizense e Missioneiro"
Símbolo maior da resistência guarany!
Hoje, data de sua morte, posto um pouco da história desse filho ilustre de São Luiz Gonzaga, héroi para muitos, santo para outros e admirado por todos.
O que nos faz admiradores de Sepé? 
Muitas vezes fiz essa pergunta e acho que a resposta reside no fato dele ter sido uma barreira viva contra os poderosos, o Davi Missioneiro.
Nascido na velha e lendária São Luiz Gonzaga, filho do cacique Tiarajú; órfão aos dez anos(seus pais morreram de escarlatina) foi levado para São Miguel pelo padre Miguel de Souto e especialmente educado(de acordo com a promessa que o padre fizera aos pais de Sepé).
Morreu há 255 anos atras, em 1756, nas margens da sanga da Bica, afluente do rio Vacacaí, nos campos da antiga localidade chamada Batovi(hoje município de São Gabriel, RS), tentando combater o famigerado e obscuro tratado de Madrid; três dias depois ocorreu a chacina de Caiboaté, onde 1.500 guaranis foram aniquilados pelas tropas luso-espanhóis.
Há muita coisa medonha nesse tétrico tratado...
Dia chegará a que, nossos tenazes historiadores, cavando tipo arqueólogos determinados, encontrarão as raízes desse tratado... E com surpresa verão que por detrás das “mãozinhas“ dos soberanos, estavam dedos com anéis sagrados.


Estátua no trevo de acesso a São Luiz Gonzaga:
  
Por saber, segundo alguns historiadores, que o símbolo maior da resistência guarany, havia nascido em São Luiz Gonzaga, era imprescindível utilizarmos essa informação em nosso benefício. Esse foi um dos motivos que levaram-me a confeccionar a estátua. O outro foi constatar que até aquela data, a figura de Sepé divulgada pela imprensa regional e estadual era a da escultura existente na cidade de Santo Angelo, chamada "Família Guarany" do escultor Olindo Donadel.
Após fazer algumas maquetes em 2002, ela foi inaugurada em 19 de abril de 2006, dia do índio.
Precisávamos mostrar ao mundo que esse símbolo universal de resistência era São-luizense.
Hoje quando a mídia cita esse vulto, tornou-se referência divulgarem a estátua do Sepé são-luizense, existente no trevo.
Um artista, como dizia meu saudoso amigo e escultor Valentim Barcelos, é um criador de símbolos. A estátua de Sepé é um símbolo de força e determinação, sendo mais uma das imagens que representam nosso povo.

Em 21 de setembro de 2009, em brilhante iniciativa do dep. Federal Marco Maia(atual Presidente da Câmara Federal), Sepé Tiaraju foi declarado oficialmente como herói nacional, o 11º da história, sendo o primeiro indígena e para nossa alegria: São-luizense, a ser inscrito no Livro dos Heróis da Pátria.
São eles:
1º)Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, o primeiro nome no livro em 21 de abril de 1992 por ocasião do bicentenário de sua execução.
2º)Zumbi dos Palmares, inserido em 21 de março de 1997.
3º)Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, incluído em 15 de novembro de 1997 por ocasião do 108.º aniversário da proclamação da República.
4º) Dom Pedro I do Brasil, incluído em 5 de setembro de 1999 por ocasião do 177.º aniversário da proclamação da Independência.
5º)Marechal Luís Alves de Lima e Silva, duque de Caxias, incluído em 28 de janeiro de 2003.
6º)Coronel José Plácido de Castro, incluído em 17 de novembro de 2004 por ocasião do centenário da celebração do Tratado de Petrópolis.
7º)Almirante Joaquim Marques Lisboa, marquês de Tamandaré, incluído em 13 de dezembro de 2004 por ocasião do 197.º aniversário de seu nascimento, instituído como Dia do Marinheiro.
11º)Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense, incluído em 21 de setembro de 2009

Nessas situações onde o homem se faz guerreiro para defender seu lar, ficam marcas
profundas...
As marcas daquele gesto ficaram vibrando até os nossos dias.
Hoje quem caminha pelo chão das Missões, mesmo sem ser sensitivo, sente essa energia latente na alma da nossa gente.



domingo, 6 de fevereiro de 2011

Na noite escura, o brilho dos olhos...













Somente na segunda feira, dia 31 de Janeiro 2011, foi possível comemorarmos a data em homenagem ao dia do Pajador, que é 30 de janeiro.
Lá fomos, mais uma vez, levar luz ao poeta da escuridão.
De certo momento em diante, nos baseávamos pelo som; de acordo com o timbre de voz sabíamos onde estávamos ou pelos clarões dos flashes, tipo quem corre em temporal no escuro, com a luz dos relâmpagos como guia.

Acompanhe as fotos, aqui ao lado.