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sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Sepé Tiarajú-São-luizense e Missioneiro

















Sepé Tiaraju 
O Mito superando o histórico?
Clique aqui e leia antes de tudo:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2013/02/o-mito-acima-da-historia.html





Esclarecimentos sobre a obra:
SEPÉ TIARAJU SÃO-LUIZENSE E MISSIONEIRO

O símbolo maior da resistência guarany, nasceu, segundo alguns escritores, em São Luiz Gonzaga e era imprescindível utilizarmos essa informação em nosso benefício. 
Foi esse o motivo que me levou a confeccionar a escultura. 
Seu tamanho e dimensões foram elaborados para um propagado pórtico, que na verdade nunca foi construido... 
Na falta do dito, e pela urgência da situação, solicitei a inauguração da obra no dia 19 de abril de 2006, dia do indio. 
Digo urgência, porque constatei que até aquela data, a figura de Sepé divulgada pela imprensa regional e estadual era apenas a da escultura existente na cidade de Santo Angelo, chamada "Familia Guarany" uma bela obra do escultor Olindo Donadel.
Precisávamos mostrar ao mundo que esse símbolo universal de resistência era São-luizense.
Hoje quando a mídia cita esse vulto, seguidamente focaliza o Sepé de São Luiz. 
Um artista, como dizia meu saudoso amigo e escultor Valentim Barcelos, é um criador de símbolos
A estátua de Sepé é um símbolo de força e determinação, sendo mais uma das imagens que representam nosso povo.

Explicações sobre a Cruz: 
Denominei esta obra de:"A cruz acima da lança!" 
A cruz cristã representa o sacrifício voluntário em prol de algo grandioso...
Ela é um símbolo universal e também representa a paz; coisa importante nos dias de hoje e importantíssima para o amanhã.
Nessa posição Sepé está postado tal qual uma barreira de carne e osso, com a Cruz acima da Lança, como a dizer que a paz era seu primeiro objetivo e a lança estava em segundo plano, porém firme... 
Sepé foi um símbolo de resistência, por isso todos nós o admiramos, pois representa a força daquele que aparentemente parece ser o mais fraco. 
Nas reduções era essa a cruz que usavam.
Por estes motivos ela foi colocada na obra, para exaltar o apelo da paz. 

Explicações sobre a confecção da obra: 
Esta obra foi confeccionada pelo preço de custo, de outra forma acho que ela não seria realizada...
Não pude cobrar o preço justo, pois, já naquela época, sabia que Turismo e Arte, não eram prioridades(e até concordo, porque saúde, educação e segurança devem vir primeiro)  e não pude dar de presente para a população porque não tinha condição de dar nem ao menos um saco de cimento. 
O importante é que a idéia foi aceita e a obra realizada.
Aos poucos vamos compreendendo que estamos pisando sobre uma riqueza enorme chamada: história e cultura. 
Explorar isso de forma turisticamente correta, será uma de nossas maiores fontes de renda.




Antes de seguir com as informações, clique aqui e veja o importante
 texto sobre  "O Mito acima da História" 
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2013/02/o-mito-acima-da-historia.html










Esclarecimentos sobre a estátua:

Título da obra:
 “Sepé Tiaraju São-luizense e Missioneiro”

Material:
Concreto armado feito manualmente, sobre armação de tela de arame e esqueleto de cano de ferro.

Medidas:
-altura: 2 m de altura, até a cabeça (3 m até a cruz), por 1,50m largura.
- peso: aproximadamente  950 kg.

Confecção:
O trabalho foi realizado manualmente, sem utilização de nenhum tipo de fôrma ou molde.

Período de Confecção:
Foram necessários três meses.
Início: dia 15 de dezembro de 2005.
Término: Dia 13 de Março de 2006.



Desenho: 
Criação própria de Vinícius Ribeiro
Feito em Abril de 2002, com modificação na posição da lança em agosto de 2005.

Projetos apresentados:
O projeto referente à estátua de Sepé Tiarajú foi apresentado quatro vezes ao
Poder público Municipal nas seguintes datas:
1ª) Em abril 2002
2ª) Em abril 2003
3ª) Em abril 2004
4ª) E finalmente aceito em agosto 2005
 Data da inauguração: 19 de Abril de 2006.

Localização da Estátua:
A estátua foi elaborada desde o 1º esboço (abril 2002), única e exclusivamente para ser erigida em pórtico no trevo principal da cidade de São Luiz Gonzaga, de frente para a BR 285.

Estilo da obra:
Estilizado; esse estilo foi adotado para dar maior ênfase ao feito realizado por Sepé. Sua estatura foi ampliada para exaltar a ideia de monumento e fortalecer o mito.

Significados da obra:

Cruz:
Subtítulo da obra: “A cruz acima da lança!”
A cruz cristã (levemente estilizada, para compor melhor a obra) representada aqui como símbolo universal do sacrifício consciente e voluntário em busca da Paz e não
um artefato exclusivo de alguma religião.
Ela encontra-se em 1º plano, demonstrando o que ele representava e o que defendia. Pois Sepé era cristão, nascido nas Missões, assim como seu pai e provavelmente seu avô. Esse era o ambiente, o lar ao qual ele protegia.


Lança:
A lança encontra-se 2º plano, apontada para baixo, simbolizando que esta terra tinha dono e que ele não queria a guerra, mas a defesa é um direito de todo ser vivo, estavam prontos para morrerem lutando em defesa de seu lar.

Vestimentas:
As vestes selvagens e os adornos de seus antepassados, a boleadeira, a lança; como que a buscar forças nas suas raízes mais primitivas. A utilização dessas vestes tem por objetivo demonstrar a mescla de emoções e sentimentos vivenciados por Sepé e seus irmãos naqueles tempos: a raiva pelo incompreensível e desumano Tratado de Madri, a impotência perante o poderio português, a forte dor da traição por parte do rei da Espanha, a qual eles aprenderam a amar desde pequenos, e ao qual pagavam altos impostos anuais (durante quase 70 anos) pela posse da terra. Finalmente a dor maior do abandono, por parte da maioria dos padres jesuítas.

Adornos:
Tembetá:
Símbolo característico do Guarany guerreiro, osso cravado no lábio inferior.

Tettymakuaá:
Atado existente nos braços do guerreiro, feito de cabelo trançado de jovem índia após sua 1ª menstruação.

Frase:

A frase: “Sepé Tiarajú São-luizense e Missioneiro” foi elaborada em abril de 2002.

Possui uma linguagem limpa e de fácil captação, além de explorar o forte apelo às Missões, comunica de forma objetiva, o que alguns historiadores confirmam: de que Sepé Tiarajú nasceu em São Luiz Gonzaga.



Alterações na obra:

De acordo com a Lei de Direitos Autorais nº 9610/98, nenhuma alteração poderá ser feita na obra sem autorização por escrito de seu autor.
















Sepé Herói Nacional:

Foi sancionado dia 21 de Setembro de 2009, pelo falecido ex- Vice-Presidente sr. José Alencar, lei onde reconhecia Sepé Tiaraju como Herói Nacional.
Sepé foi o 11º inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, o primeiro indio e são-luizense missioneiro a receber esta distinção; antes dele vieram:
· Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes
· Zumbi dos Palmares
· Marechal Manuel Deodoro da Fonseca
· Dom Pedro I
· Marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias
· Coronel José Plácido de Castro
· Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré
· Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas
· Alberto Santos Dumont
· José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência
"O texto abaixo foi retirado do CORREIO BRAZILIENSE, cita os nomes dos Heróis nacionais anteriores ao Sepé:"

 Heróis da pátria

O Livro de Aço dos Heróis Nacionais fica no salão principal do Panteão e contém as inscrições dos nomes de 10 figuras ilustres do país. A Lei nº 11.597, de 2007, estabelece que o livro destina-se ao registro perpétuo de brasileiros (ou grupos de brasileiros) que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com dedicação e heroísmo. A homenagem só pode ser prestada depois de 50 anos da morte da pessoa — exceto em casos de mortos ou presumidamente mortos em campo de batalha.  
Os nomes atualmente presentes no livro são:

Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746 — 1792)

O primeiro brasileiro a entrar no livro nasceu em Minas Gerais e foi mascate, dentista e pesquisou minerais. Em 1789, integrou um movimento contra os altos impostos cobrados na época. Naquele ano, Joaquim Silvério dos Reis revelou a existência do grupo ao governo mineiro e assim se deu a perseguição contra os inconfidentes. Tiradentes foi enforcado, teve o corpo esquartejado e a cabeça exposta em um poste.

Zumbi dos Palmares (1655 — 1695)

Nasceu no Quilombo dos Palmares, para onde iam negros que escapavam das senzalas. Ainda criança, ele foi entregue a um missionário, mas retornou ao quilombo na adolescência. Zumbi conquistou a liderança do quilombo e ficou ferido durante uma invasão no local. Foi traído e sofreu um atentado, mas resistiu. O herói foi morto no ano seguinte e teve a cabeça exposta em praça pública.

Marechal Deodoro da Fonseca (1827 — 1892)

Ingressou no exército aos 18 anos, na Arma de Artilharia. Lutou na Guerra do Paraguai e liderou a facção do exército favorável à abolição da escravatura. Depois de abandonar o comando, ele se mudou para o Rio de Janeiro. Em 15 de novembro de 1889, o marechal proclamou a República.

D. Pedro I (1798 — 1834)

Nascido em Lisboa, filho de D. João e D. Carlota Joaquina, D. Pedro I chegou ao Rio de Janeiro em 1808 com a família real. Assumiu o título de príncipe do Reino do Brasil em 1821, quando a família voltou para Portugal. Proclamou a Independência do país em 7 de setembro de 1822.

Duque de Caxias (1803 — 1880)

Como tenente do Batalhão do Imperador, ele participou de movimentos pela Independência. Foi nomeado comandante em chefe das forças do Império em operações contra o Paraguai. Ganhou o título de duque em 1870 — o primeiro do país. Em 1962, Duque de Caxias foi instituído patrono do Exército Brasileiro.

Plácido de Castro (1873 — 1908)

Plácido de Castro saiu de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, rumo ao Acre em 1899. Ele liderou os brasileiros instalados no território para expulsar os bolivianos que ali viviam. Em 1903, foi proclamada a autonomia do Acre e Castro assumiu o governo provisório do estado.

Almirante Tamandaré (1807 — 1897)

Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, entrou no livro por ter feito parte da campanha da Independência do Brasil. Ele participou da repressão aos revolucionários, esteve na Confederação do Equador e lutou na Guerra do Paraguai. O almirante é patrono da Marinha Brasileira e a data de seu nascimento, 13 de dezembro, virou o Dia do Marinheiro.

Almirante Barroso (1804 — 1882)

Francisco Manoel Barroso da Silva era natural de Portugal, mas veio ao Brasil ainda criança acompanhando a comitiva da família real portuguesa. Ele entrou na Academia da Marinha, no Rio de Janeiro, e comandou a Força Naval Brasileira na Batalha Naval do Riachuelo.

Alberto Santos Dumont (1873 — 1932)

O nome de Santos Dumont entrou no livro em 2006, ano de comemoração do centenário do voo do 14-bis, avião idealizado pelo mineiro. Ele é patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira.

José Bonifácio de Andrada e Silva (1763 — 1838)

Estudou e trabalhou em Portugal até 1819, quando voltou ao Brasil e iniciou a carreira pública. Foi um dos principais articuladores da Independência do Brasil, conquistada em 7 de setembro de 1822.

Fonte: Correio Braziliense


 





Quem Matou Sepé?


Contarei agora, aquilo que penso, e defendo, sobre a sua morte.
 

Há muita coisa medonha por detrás do tratado de Madrid, já falei sobre isso em um poema (postado neste blog algumas vezes, clique na foto e leia agora).
Aos historiadores fica difícil aceitarem esta teoria, por falta de provas(dizem); mas da minha parte não tenho dúvidas sobre quem estava comandando as mãozinhas dos soberanos que assinaram este tratado.
Quando os Jesuítas vieram para as Américas, numa estratégia de expansão da fé, temendo a reforma protestante, não pensavam em encontrar um povo com uma característica marcante, como a do povo Guarany: A crença na "Terra sem Males!"
Foi precisamente esta crença que alicerçou as Reduções Missioneiras, sem ela nada seria possível; em cima dela, sabiamente, trabalharam os padres. 

Houve muitas perdas para os guaranys:anulação de suas tradições, adormecimento de sua cultura; mas mesmo assim indios e padres caminharam juntos e o horizonte da prosperidade foi surgindo naturalmente...
Os jesuítas são um capítulo a parte: inteligentes, disciplinados e principalmente determinados; sempre foram visto com certa cautela pelos seus co-irmãos de outras ordens(lógico que nos dias atuais isso não ocorre mais...).
A cautela é prima do ciúme, o ciúme é irmão da maledicência...
Enquanto viviam no domínio espanhol distante do império de Portugal, havia certa normalidade entre as congregações. Mas quando houve a proximidade com o império português, as nacionalidades diferentes fizeram exaltar sentimentos de rivalidade, até então toleráveis entre as congregações de mesma língua...
E nasceu o temor. 
Temor pela prosperidade alcançada nas Reduções.
O temor transformou-se em medo. 

Medo pela ordem a ser perdida, pelo controle a ser disperso.
E aqui vem a chave mestra de todo o absurdo do Tratado:

" Medo, terror, assombro!"
Não da nova nação, próspera e poderosa, que aqui estava sendo levantada, mas sim pela nova Religião que indubitávelmente acabaria nascendo; uma Religião Cristã totalmente desligada dos caminhos de Roma.
Isso seria inadmissível, e acima de tudo: insuportável.
Isto explica o porquê da intransigência do tratado, de não darem direito algum de defesa aos povos Guaranys e nem aos padres jesuítas.
Talvez com isto seja mais fácil compreender o porquê da total omissão de Roma. A poderosa Roma que se fosse sua vontade, num estalar de dedos tudo resolveria...
Sepé tornou-se guerreiro pela necessidade da situação; no seu exemplo da barreira viva, lutou com suas armas: inteligência e amor aos seus.
É isso que encanta todos nós, pois a defesa é um direito de todo ser humano em qualquer plano.

Quem matou Sepé?
Os Dragões do Rio Pardo?(atual 4º RCB Dragões da Independência, aqui de São Luiz, onde eu servi) 
Os soldados e o governador de Montevidéu? 
O Rei de Portugal? Da Espanha? 
Roma e sua rede de ciúmes?

Só posso dizer uma coisa:
Ficou como missão nossa, são-luizenses, prestarmos uma homenagem merecida a este filho ilustre chamado Sepé Tiaraju!
E ela se concretizará, com as proteções Divinas, na forma de um Monumento de seis metros de altura, feito a mão e em concreto armado!

Iniciaremos ela somente após o término da Praça em torno do Monumento ao Pajador Jayme Caetano Braun.
Desta maneira não daremos margens de que nossos monumentos são abandonados.
Cada coisa a seu tempo e a vez do grande Sepé Tiaraju está chegando.
Espero que seja o quanto antes...

OBS: Logo postarei mais informações! Inclusive sobre o futuro novo Sepé de seis metros de altura. 







 Abaixo o vídeo do translado da escultura do local antigo(trevo) para a frente da prefeitura e as explicações do por quê desta mudança estão aqui:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2011/05/sepe-no-centro-de-tudo.html







Um comentário:

Nara Regina Teixeira da Silva disse...

Maravilhoso teu trabalho Parabéns