O trajeto de São Luiz até a Timbaúva era sempre o mesmo ou seja: pela estrada velha que ia para antiga Vila Treze(atual Santo Antônio das Missões), cruzando pela ponte do Rio Piratini(linda ponte inglesa de ferro, que era para São Luiz do Maranhão e o conterrâneo Sen.Pinheiro Machado achou melhor "trazer" para São Luiz Gonzaga...). Houve épocas que a ponte ficou desativada por um período devido a forças revolucionárias terem queimado as pranchas de tábua do assoalho.
Essa mesma ponte Jayme "imortalizou" na poesia do Tio Anastácio.
Adolescência:
A família Braun, devido à transferência de Sr. João Aloysio, mudou-se para Cruz
Alta-RS em 1938 onde sr. João foi diretor da escola G.E. Margarida Pardelhas. Na data Jayme, contava com 14 anos de idade, quando saiu de São Luiz Gonzaga e sua mãe estava grávida do seu último filho Pedro Canísio Braun(que nasceu em Cruz Alta).
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Escola Margarida Pardelhas-Cruz Alta-RS onde Jayme estudou e seu pai foi Diretor em 1938 (foto- blog do Eddy) |
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Time futebol Cruz Alta em 29/11/1938, Jayme última fila, 3º da esq. para direita. Foto cortesia Hilton Araldi.
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Em 1939 mudaram de Cruz Alta para Santa
Cruz do Sul-RS, com o Senhor Aloysio Braun sendo delegado de ensino.
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Histórico Jayme quando estudou em 1939 em Cruz Alta. Cortesia Hilton Araldi. |
De 1940 até 1942, seu pai
assumiu cargo de delegado de ensino em Passo Fundo-RS até aposentar-se.
Após isso, retornaram para Cruz Alta,
lá seu pai faleceu em 1956.
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Jayme Caetano Braun-escola em Passo Fundo.1ª fila, 6º da esq. para direita. Cortesia família Nico Caetano. |
Após a morte de seu pai a
família passou a residir em Porto Alegre.
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Jayme indo para Porto Alegre. Cortesia d. Gelsa Ramos de Morais |
Em Porto Alegre, Jayme estudou na Colégio Estadual Julio de Castilhos(Julinho) em 1942 e parte de 1943(dito pelo mesmo em entrevista ao radialista Glênio Reis) o referente ao início do ensino médio(2º grau), desistiu dos estudos por não ser o que queria e retorna para São Luiz Gonzaga em 1943(aos 19 anos), indo morar na fazenda Santa Terezinha(Timbaúva) de propriedade de seu primo/tio
Danton Victorino Ramos, a quem considerava como seu segundo pai.
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Jayme com sr. Luiz Queiroz. 05/09/1943, rua da Praia-Porto Alegre-RS. Foto acervo Aurora Ramos Braun gentileza: prof. José Francisco Alves |
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Jayme(esq.) com José Morais(dir.)fazenda Timbaúva, cada um com revolver Nagant 44(presente seu Danton)foto cortesia Gelsa Ramos de Morais |
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Jayme na faz. Stª. Terezinha(Danton Ramos) Timbaúva foto cortesia Gelsa Ramos de Morais |
Veja o improviso que disse Jayme sobre seu Danton no lançamento do livro "Troncos e Ramos" da sua prima Danci Ramos(filha do Danton) em 30 de maio de 1996.
"Eu que tive um pai sagrado,
Vim encontrar nesse tio
Quem definisse o feitio
Do meu destino traçado.
Porque encontrei a seu lado
Alguém que apontou meu trilho
E compreendi que o caudilho
Na sua imensa pureza
Compreendia com nobreza
Que havia encontrado um filho..."
Danton Ramos era primo irmão de dona Euclides(mãe do Jayme) e era casado com Aracy Caetano Ramos(Cecy) irmã de dona Euclides(ou seja Danton e Cecy eram primos, casamento de primos era algo comum naquela época), por isso seu Danton era primo e tio ao mesmo tempo de Jayme.
Ficou morando e trabalhando na fazenda até sair para casar.
Jayme foi morar na fazenda Santa Terezinha em 1943, e só saiu para casar, em 1947, com Nilda Aquino Jardim.
Veja aqui ele contando a saída dele de Porto Alegre na entrevista ao Glênio Reis:
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Jayme, com seus pais e irmãos. Eurica não estava presente no dia da foto(já era casada). Cortesia Gelsa Ramos de Morais. |
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Foto cortesia Adriana Braun(filha de Pedro Canísio Braun) |
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Eurica Almeida(irmã adotiva de Jayme) Foto cortesia Adriana Braun(filha de Pedro Canísio Braun)
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Casamento:
Jayme, casou-se com Nilda Aquino Jardim, filha de Rivadavia Romero Jardim e Faustina
Aquino Jardim, no dia 20 de dezembro de 1947.
Passou a morar na fazenda
Piraju(localizada entre a cidade de São Luiz e o distrito Serrinha) de propriedade de seu sogro, permanecendo lá o período da Lua de Mel e pouco tempo mais...
Devido a seu temperamento forte e determinado, Jayme teve desentendimento com o capataz sr. Arlindo Lima dos Santos, com relação aos métodos adotados nas lidas da fazenda.
Jayme tinha seu sistema contrário em algumas coisas ao do capataz. |
Sogro do Jayme dono fazenda Piraju presidente ACI-SLG 1950 |
Seu sogro, sr. Rivadávia, gostava demais do sistema do capataz e diante do impasse, preferiu "mantê-lo"...
O tempo de permanência do casal Jayme e Nilda, na fazenda foi de mais ou menos três meses(informação do sr. Ataliba dos Santos).
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Local da Fazenda Pirajú, na época do sogro do Jayme. Atualmente de Gabriel Perciúncula(gaiteiro grupo Mano Lima)
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Casa refeita com as mesmas madeiras da qual morou Jayme e sua esposa Nilda Aquino Jardim, na antiga fazenda do seu sogro Rivadávia Jardim. |
Jayme resolveu então sair da fazenda, para
morar, na Serrinha (na época, Vila Distrito de São Luiz
Gonzaga, hoje faz parte do município do Rolador), naquela localidade abriu um autêntico "bolicho de campanha" (teve para isso a ajuda financeira do sogro e de seu tio Danton Ramos) onde ocorriam rodadas de poesia e música até
tarde da noite, o local passou a ser ponto de encontro cultural do vilarejo.
O recém casal Jayme e Nilda, moravam nos fundos do bolicho, sem muito conforto...
Veja aqui no mapa, local da vila onde era o bolicho do Jayme:

Estas importantes informações(citadas acima) recebi do Sr. Ataliba dos Santos(filho de Arlindo Lima dos Santos e Margarida Ramires Pereira) que morou com Jayme e D. Nilda ajudando no bolicho.A saída do Jayme da fazenda, não foi por mágoas, pois o próprio capataz autorizou o Jayme levar seu filho para ajudá-lo. Segundo seu Ataliba o Jayme disse ao seu pai: " Eu vou pra Serrinha, mas quero levar o teu guri junto, pra me ajudar!" E o sr. Arlindo respondeu: "Pode levar, desde que coloque ele no colégio!" E assim o Jayme fez!
O tempo de permanência na Serrinha do Rosário(nome correto do lugar), foi durante o ano de 1948.
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Visita ao sr. Ataliba em 09/01/2025 |
A localização do famoso Bolicho do Jayme, de acordo com as informações do seu Ataliba era próxima a uma antiga serraria(de propriedade do sr. Augusto Rurato) pra lá partimos, o professor e poeta Orci Machado(companheiro de estrada) e eu, para encontramos o local exato.
Já na vila Serrinha, fomos perguntando aos moradores antigos da localidade e em boa sorte acabamos encontrando o sr. Amaro Greff Vargas(bisavô dele era irmão do Manoel Vargas, pai do presidente Getúlio).
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Visita a Serrinha do Rosário, conversa com sr. Amáro Vargas em 10/01/2025, sobre o tempo que Jayme comprava vacas do seu pai, para carnear e vender. |
O sr. Amaro entre tantas boas conversas que tivemos, confirmou as informações do sr. Ataliba e acrescentou outras: de que o Jayme comprava gado do seu pai João Mendes Vargas para carnear e vender na vila, num tipo de açougue primitivo(sem refrigeração é claro) em parceria com Homero Oliveira e José Duarte. Eles iam, a cavalo no campo, distante alguns km, laçavam e traziam para a vila. O sr. Homero tinha um bolicho maior e mais sortido que o do Jayme, lá eles carneavam e vendiam para a comunidade local. Fizeram isso muitas vezes, era uma maneira do Jayme aumentar a renda familiar.
Um parênteses: como não havia como conservar a carne, era mais comum o abate de ovinos ou suínos do que de gado, pois exigia certo trabalho percorrer a vizinhança e achar com quem dividir. E o "açougue" deles solucionava com praticidade esse problema, cada um comprava a quantidade que iria consumir.
Após uns "dedos de prosa" seguimos as informações tanto do seu Ataliba, como do sr. Amáro em busca do dito local onde era o "bolicho do Jayme".
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Foto antiga como era o Bolicho, cortesia sr. Edson Freitas e esposa. |
Lá chegando encontramos o atual proprietário do local, sr. Edson Freitas(vulgo Corisco). Sr. Edson é natural de Natal, capital do Rio Grande do Norte e veio para o RS, quando criança. Aposentado pela antiga RFFSA(rede ferroviária federal), se estabeleceu naquele local, junto com sua esposa, sra. Deolinda Oliveira de Freitas. Após ótima conversa descubro, para minha surpresa, que sr. Edson é pai do amigo Augusto Gonzaga Oliveira de Freitas, professor e Dr. da UNIPAMPA(Universidade Federal do Pampa) campus de Itaqui.
Coisas da vida. Mundo pequeno...
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Aspecto atual moradia família Freitas. |
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Atrás da moradia da família Freitas, está o galpão feito com materiais do velho Bolicho do Jayme. |
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A família Freitas manterá o velho galpão. Como registro do fato histórico na vila. |
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Localização atual, onde era o antigo Bolicho do Jayme:
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Distância de 15 km entre o centro da cidade de São Luiz Gonzaga até Serrinha do Rosário-Rolador-RS. |
Sobre as tertúlias no bolicho, o Sr. Ataliba(que na época com quase 11 anos) contou o seguinte: “O
Jayme quando inspirado ficava, às vezes, olhando para um palito de fósforo
entre os dedos (com som de violão sendo dedilhado ao fundo) e os versos brotavam magicamente”.
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Casa Jayme morou aluguel em SLG, após bolicho Serrinha (obs: visão atual, diferente da época) |
Jayme permaneceu “bolicheando”
por poucos meses, até falir o bolicho, faliu, devido a sua visão mais artística do que comercial.
Jayme era um "ser dos palcos" e não dos "balcões".
Depois dessa experiência, passou a residir, em 1949,na cidade (São Luiz Gonzaga) na Rua
Marechal Floriano (fundos hospital de caridade SLG ) ali nasceram seus dois filhos com dona Nilda:
Marco Antonio Jardim Braun e José Raymundo Jardim Braun.
Vida profissional, artística e política:
Após sua experiência como bolicheiro, Jayme, começou a trabalhar em 1950 no programa da recente Rádio São Luiz(fundada em 1º outubro 1949), patrocinado pelos parentes Danton e Ruy Ramos, foi uma aposta no arte do Jayme naquilo que seria uma preparação política do velho PTB para a futura campanha que se aproximava, não só para a 1ª campanha a deputado federal de Ruy Ramos, mas principalmente para a volta de Getùlio Vargas em 1950.
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Ruy Ramos em uma das suas visitas ao autoexílio de Getúlio Vargas em São Borja-1950. |
O programa foi um sucesso tão grande que existe até hoje. Sendo uma escola para Jayme, que lhe ajudou anos mais tarde quando trabalhou na rádio Guaíba no programa: "Brasil Grande do Sul"(veja abaixo mais informações).
Além do programa na rádio São Luiz, Jayme participou como declamador oficial naquela campanha política, declamando poesias próprias e fazendo versos de improviso(na época, seus versos não eram em décimas).
Na campanha politica de 1950(da volta de Getúlio Vargas), Jayme se apresentava em dupla com o grande trovador "Garoto de Ouro"(ao qual Jayme tinha muita admiração), iam na carroceria do caminhão do sr. Beto Andrade fazendo versos de improviso nos locais por onde passavam(informação passada pelo poeta, sr. Amauri Beltrão de Castro que presenciou).
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Jayme com "Garoto de Ouro" Vicente Ribeiro, improvisando versos na "Rádio São Luiz" 1950 foto cortesia Prof. José Francisco Alves
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Garoto de Ouro- Vicente Ribeiro nasceu antiga Vila Treze, São Borja (hoje Santo Antônio das Missões). Veio pequeno para São Luiz Gonzaga(onde nasceram seus irmãos) Morreu aos 47 anos em acidente em Goiás. Foi ele que em 14 de agosto de 1949 fez a primeira apresentação artística na recém inaugurada "Rádio São Luiz" em São Luiz Gonzaga-RS |
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Garoto de Ouro- famoso trovador que fez parceria com Jayme na campanha presidencial de Getúlio Vargas em 1950. |
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Garoto de Ouro, participando do filme:" As 7 provas" de Teixeirinha. |
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Garoto de Ouro em dupla com Ariovaldo. |
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Outro panfleto raro, demonstrando a abrangência do Garoto de Ouro naquela época. Aqui fazendo apresentações pelo Brasil, com o "Caipira Batista". |
Na campanha de 1950, Jayme declamava em homenagem a Getúlio Vargas, o poema “O Petiço de São
Borja”, sendo seus versos publicados na revista Cruzeiro(revista de maior abrangência nacional) e em outras revistas e jornais
do país.
Já para a 1ª campanha a deputado federal de seu primo: Ruy Ramos(primo irmão da mãe do Jayme, ao qual ele considerava como um tio) compôs o poema “O Mouro do Alegrete”.
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Poema do Jayme: Mouro do Alegrete foto cortesia sr. José Morais |
Para saber mais sobre Ruy Ramos, essa importante figura na vida de Jayme Caetano Braun e da defesa da Legalidade Constitucional da nação, clique aqui:
Nos anos seguintes, Jayme participou nas campanhas de Leonel Brizola, João Goulart e Egídio Michaelsen, onde esteve nos comícios como declamador e improvisador(vide explicações no seu livro: "50 Anos de Poesia")
O programa "Galpão de Estância":
É o mais tradicional da história da rádio São Luiz.
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Dangremon Flores, Darci Fagundes e Jayme nos estúdios da rádio São Luiz gravando o programa Galpão de Estância. Foto cortesia prof. José Francisco Alves
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Criado em 1950, o programa “Galpão de Estância” (atualmente a cargo de Alcides Figueiredo) era apresentado pelo Jayme juntamente com Dangremon Flores e Darci Fagundes, aos domingos às 11:30 da manhã.
Deste nome veio a surgir depois, o primeiro CTG em São Luiz Gonzaga chamado "CTG Galpão de Estância", um dos mais antigos do estado.
O CTG foi fundado em 24 junho de 1954 e mesmo residindo em Porto Alegre, Jayme foi um dos seus fundadores, com seu tio materno Antônio Caetano Sobrinho(Nico Caetano) sendo o primeiro patrão.
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Jayme(6º da esq. para dir.) no CTG Galpão de Estância- SLG-RS
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Jayme improvisando versos em uma de suas visitas no CTG Galpão de Estância- foto cortesia prof. José Francisco Alves |
A ida para a Capital dos Gaúchos:
Foi graças ao convite de Ruy Ramos, que em boa hora, convenceu(arrastou) Jayme para morar em Porto Alegre, onde conseguiu para ele emprego de auxiliar de farmácia.
O casal, que estava em situação financeira bem delicada em São Luiz Gonzaga, partiu com os dois filhos pequenos, em direção à capital dos Gaúchos em 1951, em busca de novos horizontes.
Jayme passou a receber salário pela primeira vez na vida, como funcionário na farmácia do IPASE
(Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado) que apesar do nome: era órgão federal; depois passou a ser auxiliar da tesouraria do mesmo IPASE; anos mais tarde, a convite do amigo e gov. Leonel Brizola atuou como diretor da Biblioteca do estado RS, entre 1959 a 1963, após isso, retornou à tesouraria IPASE e anos mais tarde conseguiu transferência para o IAPAS(antigo Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social, hoje atual INSS) como fiscal da previdência, onde ficou até
se aposentar.
Obs: esse passo a passo de funcionário público na capital, está bem explicado no cap. 09 do livro "O grande Payador" do saudoso sr. Nei Fagundes Machado, que foi seu colega de IPASE.
Jayme e a introdução à Décima Espinela da Payada(Pajada):
Ele foi apresentado para o estilo da décima espinela(versos de dez linhas), pelo poeta e pajador uruguaio Sandálio Santos em 1958.
Esta é a estrutura clássica usada nos versos da "payada da pampa gaucha".
Sobre este tema, que acredito seja primordial na vida artística do Jayme, dediquei uma postagem que precisa ser vista:
Ele também se lançou como candidato.
Incentivado e apoiado por
Ruy Ramos concorreu a deputado estadual pelo PTB no ano de 1962, não alcançando
votação suficiente.
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Jayme na campanha política a dep. estadual! Ao seu lado, Ruy Ramos, dep. Federal-RS
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Esta passagem política trouxe mágoas que o acompanharam
por muito tempo (vide poema abaixo "Bilhete a João Vargas"). A política é um jogo complexo, quis o bom destino, que ele não fosse eleito; sorte para nós admiradores da sua arte, pois dificilmente seria o expoente poético que foi, se seguisse o caminho político.
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Panfleto campanha 1962 cortesia prof. José Francisco Alves |
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votação Jayme campanha 1962
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Jayme improvisando versos na campanha de 1962 foto acervo Aurora Ramos Braun gentileza prof. José Francisco Alves |
Jayme Radialista:
Além do programa já citado na Rádio São Luiz em 1950, Jayme teve outro(que foi o mais famoso) chamado: "Brasil Grande do Sul", programa radiofônico semanal(aos sábados) na Rádio Guaíba, iniciou em 1973 e durou 15 anos. Com muito sucesso. Neste programa, teve acompanhamento ao violão de Noel Guarany, Amauri Beltrão de Castro e Pedro Ortaça(este foi o que mais participou do programa).
Foi lançado três discos com acervos raros do programa, chama-se: "Jayme Caetano Braun-Payada, Memória e Tempo" volumes 01, 02 e 03.
Há material para muitos mais outros, pois de acordo com o próprio Jayme em entrevista para o radialista Glênio Reis, ele tinha mais de 900 fitas k7 com gravações do programa no seu acervo.
Os direitos autorais de
seus vários livros e discos serviram apenas como complemento de renda, pois o poeta,
como muitos que trabalham com a arte, enriqueceu mais a alma do que os
bolsos.
Segundo Casamento:
Separou-se de sua 1° esposa Sra. Nilda Jardim em 11/07/88 divorciando-se em
26/06/95.
Casou-se com Sra. Aurora de Souza Ramos (Bréa) em 1° de setembro de 1995 na
cidade de Porto Alegre. Teve um enteado: Marcelo Bianchi; da união com Aurora
Ramos teve um filho: Cristiano Ramos Braun.
Saúde:
A sua saúde foi abalada em muitas situações: quatro pontes de safena,
angústias inerentes a todo poeta e algumas desilusões...
Várias situações no decorrer de sua emotiva existência colaboraram para o
surgimento de seus problemas de saúde:
No início, após suas primeiras publicações, enfrentou o desestímulo
(por parte de alguns), sendo um adversário forte a ser superado(veja poesia "Meu Canto").
Nem tudo foram flores para o poeta até ele encontrar reconhecimento...
Mas o amor pela arte fez a diferença na sua estrada. Ele viveu uma vida inteira dedicada a poesia.
Fez dela algo sagrado como um templo onde ele era o sacerdote.
Com o passar do tempo, superou
o pouco caso que faziam de sua obra, assim como as críticas "acadêmicas" que
recebeu no correr da sua trajetória, pelo seu estilo nativo.
Outro fator foi a decepção no pleito da candidatura a deputado estadual em 1959
quando sua mensagem não foi compreendida pelo seu próprio povo, teve uma votação pífia(antepenúltimo colocado), graças a Deus, pois provavelmente o Rio Grande perderia muito da sua poesia caso ele fosse eleito... Sobre esse
fato, da campanha fracassada, ele mesmo diz na poesia feita ao seu grande amigo João da Cunha Vargas de título "Bilhete ao João Vargas do Alegrete."
Abaixo trecho dela:
“Bilhete ao João Vargas"
...Fiz o que o gaúcho faz,
Sem admitir pretexto
E fui – como gato a cabresto,
“Só nas patinhas de trás”,
Tu sabes – na santa paz
Que o gaúcho não morreu,
Mas na terra onde nasceu
-Até periga a verdade,
Quando eu gritei: Liberdade!
Só o eco me respondeu... ”
(Ver no final desta postagem os poemas inteiros!)
E por fim, talvez o que mais tenha despedaçado o coração do pajador, tenha sido a
dor pela perda de seu filho primogênito, Marco Antônio Jardim Braun, aos 30 e poucos anos de
idade por abalos no sistema nervoso. Acredito que seja essa, a maior dor para um pai...
Morte:
Faleceu no dia 8 de julho
de 1999 às 5 horas e 30 minutos, aos 75 anos de idade, na clínica São José em
Porto Alegre, vítima de complicações cardiovasculares. O corpo foi velado às 17
horas no Salão Nobre Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, sede do
governo estadual gaúcho; foi enterrado no cemitério João XXIII em Porto Alegre.
Curiosidades:
(algumas das entrevistas que fiz e outras retiradas dos
jornais que prestaram homenagens no dia de sua morte)
- Me contaram, seu Juca e dona Gelsa Ramos, que na infância, juventude e também na maturidade, Jayme (sempre que possível) passava as férias nas fazendas de seu avô Aníbal Caetano ou de seu tio Danton Ramos(próximas uma da outra) na localidade da Timbaúva.
- Pelo curiosidade que sempre teve com as plantas e chás medicinais e pelo conhecimento adquirido ao trabalhar anos na farmácia do IPASE(Instituto de Previdência e Assistência do Servidores do Estado) tornou-se um estudioso em remédios.
Dizia: "todo missioneiro tem a obrigação de ser um curandeiro".
Manifestou seu sonho antigo em fazer medicina em entrevista na rádio Gaúcha(Glênio Reis), mas fez apenas o início do que hoje seria o ensino médio.
- Seu primeiro poema publicado no jornal A Notícia(SLG) foi na data de 10 de janeiro de 1942(pesquisa realizada por Irene Gomes do Instituto Histórico de São Luiz Gonzaga). Com o título "Ao prezado Monsenhor Wolski" (veja abaixo):
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Edição A Notícia de 1 e 2 março 2024 Republicando poema de 10 janeiro 1942 |
- Sobre a primeira edição do seu primeiro livro:
Seu primeiro livro Galpão de Estância , foi produzido em 1954 pela Gráfica Porto Seguro, pertencente ao Jornal A Notícia de São Luiz Gonzaga-RS.
Há uma história bonita dessa primeira edição, publicada no livro "Centenário de José Grisólia" (2010-autoria de José Grisólia Filho)
Que conta a seguinte passagem: Após vários poemas publicados no jornal, surgiu a necessidade do Jayme ter seu livro e o fundador e proprietário do jornal, sr José Grisólia abraçou a confecção do mesmo, fazendo contrato com o Jayme, onde o jornal se responsabilizou pelos custos da publicação e pela distribuição da obra em todo estado. O artista não teve despesas e coube a ele a participação dos lucros. Para a distribuição da obra em todo o estado, o jornal A notícia designou seu colaborador Ires Cruche Ramos para percorrer as cidades por trem e ônibus. Com este livro surgiu então, o novo empreendimento do sr. José Grisólia: A Gráfica Porto Seguro(que mais parte passou a se chamar Gráfica A notícia).
Três fatos interessantes dessa história:
1º)Mesmo no início de carreira poética, Jayme foi o primeiro e único autor, que teve tratamento de estrela literária pela gráfica do jornal A notícia, onde não teve despesas para a publicação e participou dos lucros da venda.
2º) A primeira edição é sem dúvidas um dos livros mais raros da poesia gauchesca, difícil quem tenha um exemplar(vide fotos abaixo).
Eu pensei que existisse duas versões da capa e na verdade são três(até o momento). Para minha surpresa, surgiu uma terceira versão, ... Fiquei sabendo apenas dia 07/02/2025, através da gentileza do Tiago Pedruzzi, admirador do poeta e que comprou esta edição em um sebo de livros em Caxias do Sul(fotos abaixo). Uma raridade ainda maior pois tem a dedicatória do Dep. Ruy Ramos(primo e padrinho político do Jayme).
Eu perguntei ao Sr. José Grisólia Filho(seu Iso), proprietário da Gráfica A Notícia(antiga Gráfica Porto Seguro-SLG) por que fizeram duas capas diferentes e ele não sabia da existência da segunda capa, muito menos então da terceira versão.
Não sei por qual motivo várias capas para uma mesma impressão do livro. Todas são da mesma "fornada" de 1954, porém capas diferentes na hora da montagem. Isso ao meu ver deixou o livro raro. Alguém que tenha essas três versões, será algo raríssimo(nem os familiares do Jayme têm).
3º) O sr. Ires Cruche Ramos era primo da mãe do Jayme, Euclides Ramos e também do meu avô Anajande Ramos Ribeiro.
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Capa 1ª edição livro "Galpão de Estância" Acervo José Gomes-gentileza Irene Gomes |
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Acervo José Gomes- gentileza Irene Gomes |
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Capa da segunda edição do livro "Galpão de Estância" também feito pela Gráfica porto Seguro(Jornal A Notícia) de São Luiz Gonzaga.Foto site Livraria Traça |
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Editora Gráfica Porto Seguro(A Notícia-SLG) foto recorte site Livraria Traça |
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Terceira capa do livro "Galpão de Estância" gentileza do Tiago Pedruzzi |
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Livro Galpão de Estância do Tiago Pedruzzi, tem uma dedicatória feita pelo Rui Ramos. |
Uma supresa agradável recebi ontem 08/02/2025 do amigo Sidiclei José Kunzler, em visita ao atelier, juntamente com sua esposa Eliane Strassburger Kunzler, trouxe para doação duas obras raras do mestre da pajada: Uma o livro "De Fogão em Fogão" de 1958, com dedicatória do Jayme para o então Governador do RS Leonel de Moura Brizola e a outra é uma "edição especial" numerada e assinada, do livro "Potreiro de Guaxos" de 1965. Disse aos amigos que as doações deles serão encaminhadas ao nosso Memorial dos Artistas São-Luizenses
onde há uma sala especialmente dedicada ao nosso maior poeta.
O memorial está localizado junto ao Monumento ao Pajador em São Luiz Gonzaga-RS.
Caso alguém tenha alguma obra e queira fazer doação ao memorial, favor entrar em contato. Junto a doação será colocada placa com nome do doador e ficará exposta em local protegido e de fácil visualização de todos.
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Capa livro "De Fogão em Fogão" de 1958 Editora La Salle(coleção 3 Chirus) doado pelo Sidiclei Kunzler no qual tem autógrafo para Leonel Brizola |
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Autógrafo "De fogão em fogão"(1ª edição) do Jayme para Leonel Brizola- Doação para o memorial feita por Sidiclei Kunzler |
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Recebendo as doações(para o Memorial do Jayme Caetano Braun) do amigo Sidiclei Kunzler(SLG) |
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Livro "Potreiro de Guaxos" 1ª edição-Autógrafo Jayme ao jornalista politico e procurador federal da previdência sr. Lucídio Castelo Branco - doação livro: Sidiclei Kunzler |
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Capa livro "Potreiro de Guaxos" 1ª edição 1965 Editora Champagnat- capa desenhos: Amandio Bicca |
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Primeira página livro "Potreiro de Guaxos" 1ª edição 1965-Editora Champagnat |
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Aqui a capa da 2ª edição "Potreiro dos Guaxos" Editora Martins Livreiro 1969 Que traz o prefácio do grande poeta ao qual Jayme era admirador Balbino Marques da Rocha.
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Capa "Vocabulário Pampeano 1º Volume" 1973 -sem editora |
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Assinatura Jayme com data 15/05/73 |
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"Brasil Grande do Sul"- Editora Sulina-2ª edição 1986 |
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Capa 1ª edição completa "Vocabulário Pampeano" Editora EDIGAL 1987 |
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| "Payador e Troveiro"(1990) (Editora Tchê)
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| "Antologia Poética" 50 anos de poesia (1996) (Editora Martins Livreiro)
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"Payada e Cantares"(obs: Obra póstuma, resgate do acervo de Jayme) (2003)(Editora Martins Livreiro) |
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"IMPROVISOS"(obs: Obra póstuma, resgate do acervo de Jayme) (2024)(Editora AGE) |
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Capas dos livros Jayme Caetano Braun |
- Seus ídolos na poesia
foram: Laurindo Ramos (tio avô); Aureliano de Figueiredo Pinto; Juca Ruivo(para o qual Jayme fez uma bonita poesia); Balbino Marques da Rocha; João Vargas do
Alegrete; Vargas Netto e os insuperáveis Atahualpa Yupanqui e José Hernandez
(Martin Fierro).
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fotocópia capa livro tio avô do Jayme Cel.Laurindo Ramos-1926 Editado pela Livraria do Globo. Primeiro da família a publicar livro de poesia |
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trecho do livro Laurindo Ramos |
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Poesia Laurindo Ramos em homenagem a São Luiz Gonzaga. |
-RARIDADE:
O primeiro verso do Jayme, que se tem conhecimento, foi para seu tio Danton Victorino Ramos ao qual ele tinha admiração como um segundo pai. Foi contado a mim pelo seu Juca Ramos(filho de Danton e primo irmão do Jayme). Ele tinha dez anos de idade e foi mais ou menos assim:
"Quem é esse moço moreno
boa bota e boa bombacha
que jamais fora vencido
e acho ninguém o vence
Danton Victorino Ramos
um gaúcho riograndense"
- Mesmo não se considerando um tradicionalista mas sim um "nativista" como gostava de dizer, Jayme passou a ser uma das maiores referências do meio.
- Além de Poeta, declamador e pajador, Jayme foi radialista e funcionário público. Iniciou como radialista no programa Galpão de Estância da rádio São Luiz em 1950 e depois em 1973 no programa Brasil Grande do Sul na rádio Guaíba(Porto Alegre) durante 15 anos.
- Foi um dos fundadores do
CTG Galpão de Estância de São Luiz Gonzaga em 24 junho de 1954, um dos Centro de Tradições Gaúchas mais antigos do estado.
- Foi um dos fundadores da
Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniram no
final dos anos 50, existente até hoje.
O famoso disco "Troncos Missioneiros":
- Considerado, juntamente
com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça um dos “Troncos Missioneiros”, título dado pela gravadora "Discoteca Produções" e aceito pelos quatros, quando assinaram o contrato e gravaram em 1988 o LP "Troncos Missioneiros"(depois relançado em CD pela USA Discos).
O estilo musical que eles abraçavam, exaltava a rica história da região Missioneira na qual viviam e procuravam com sua arte divulgá-la.
Essa maneira entusiasta de cantar defendendo sua terra, foi pioneira, fez estrada e seguidores no Rio Grande do Sul.
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Capa LP 1988 "Gravadora Discoteca Produções" |
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contra capa-LP 1988 "Gravadora Discoteca Produções"
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Lado "A" LP 1988 "Gravadora Discoteca Produções"
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Lado "B" LP 1988 "Gravadora Discoteca Produções"
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Mais tarde foi relançado pela Gravadora USA Discos:
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Capa CD gravadora USA Discos |
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contra capa CD - USA Discos |
O pouco conhecido LP Sangue Missioneiro:
Em 1991, a Gravadora CID, lançou um LP incluindo mais outros grandes artistas Missioneiros além dos quatros: Jayme, Noel, Cenair e Pedro Ortaça.
Porém a repercussão lamentavelmente não surtiu o mesmo efeito do LP "Troncos Missioneiros".
Tanto é que muitos entendidos da música gauchesca, desconhecem essa obra espetacular.
Com grandes nomes da música missioneira incluídos, como:
Reduzino Malaquias, Luiz Carlos Borges, Jorge Guedes, João Máximo "Cruzeira", Waldomiro Maicá, Eurides Nunes...
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Capa LP Sangue Missioneiro-Gravadora CID-1991 |
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Contra capa Sangue Missioneiro-Gravadora CID-1991 |
Seção erros absurdos:
-Erro absurdo nº 01)
Jayme fez medicina e jornalismo??
Ele não cursou medicina e nem jornalismo como alguns confundem(Jayme não cursou nenhuma faculdade!); desistiu dos estudos do Colégio Estadual Júlio de Castilhos(Julinho), fez apenas 1 ano e pouco(1942 e 1943) do que seria hoje o Ensino Médio atual.
Relato feito pelo mesmo no programa Sem Fronteiras da rádio Gaúcha apresentado pelo radialista Glênio Reis.(veja aqui:
Jayme era filho ou neto de uma índia??
Sua mãe
não era e nunca foi uma "chirua bugra"(não que isso vá denegrir alguém, o fato é que não é verdade), D. Euclides Ramos
Caetano, era filha de produtores rurais da Timbaúva, descendente das famílias Rodrigues, Amaral, Silveira e Ramos, não há nenhum traço longínquo indígena nela.
A avó do Jayme materna dona Florinda do Amaral Ramos Caetano, (irmã da minha bisavó Florisbela)também não era indígena, a bisavó do Jayme a dona Victoria do Amaral Rodrigues Ramos muito menos...
Esta confusão originou-se da poesia "Payada das Missões" onde Jayme diz ser "Tetraneto de cacique, bisneto de curandeira,...".
Já pela família paterna nem preciso falar nada, pois o sobrenome era:"Theisen Braun". Acredito que também não eram descendentes de indígenas... Só se for tribo de vikings, que desceram da Escandinávia para a Alemanha, em séculos passados...
-Erro absurdo nº 03)
Jayme serviu ao exército??
Jayme não serviu o exército como alguns pensam, ele tinha a dispensa do serviço militar. Completou 18 anos em 1942(época do alistamento), foi dispensado. E só foi retirar a famosa 3ª(documento de dispensa militar) em 1969 pois precisava. Veja documento logo abaixo.
-Erro absurdo nº 04)
Jayme era de classe alta? pequena classe burguesa??
Apesar de sua mãe ser filha de produtores rurais, Jayme nunca foi considerado classe abastada financeiramente. Seu pai era professor(quem é professor sabe o valor do salário) e sua mãe era dona de casa, só foi herdar uma pequena fração de terra(eram bastante irmãos) muitos anos após casar.
Como ser de classe burguesa? Se Jayme ao casar foi morar de favor com o sogro na fazenda e depois num galpão atrás do Bolicho na Serrinha? E quando volta para São Luiz onde nasceram seus dois filhos, estava numa situação "brasina" financeiramente, no famoso "matando cachorro a grito".
O que salvou realmente o Jayme, foi Ruy Ramos arrastar ele para Porto Alegre, onde começou a trabalhar no IPASE, como auxiliar de farmácia e receber salário fixo pela primeira vez na vida.
O que confundem é que tanto pelo lado paterno como pelo lado materno, Jayme era sim "rico culturalmente", pois a família tinha uma bagagem cultural bem diferenciada para a época, liam muito e sobre tudo.
-Erro absurdo nº 05)
Jayme surgiu dos CTG's??
Na entrevista comenta do carinho e admiração pelos CTG's. E por questão de veracidade esclarece de que não surgiu poeticamente por causa do CTG, como disse um "desafeto" dele no jornal Zero hora(veja a entrevista).
Fala também que foi fundador do CTG Galpão de Estância em São Luiz Gonzaga, nome dado em homenagem ao programa radialístico que Jayme tinha na rádio São Luiz.
Recebeu várias homenagens em vida com CTG batizados com seu nome. E falava com alegria dessas homenagens.
Apesar dele não se considerar tradicionalista e sim um "nativista/crioulista" é sem dúvida alguma, uma das maiores referências do tradicionalismo gaúcho.
Seção "Queixo caído":
-Jayme "começou" seu canto de protesto por inspiração da Califórnia da Canção Nativa???
Ouvi isso e realmente não faz sentido, o festival da Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana-RS é de 1971 e o Jayme desde seus primeiros poemas já falava dos excluídos, daqueles que não tinham voz!
Vide a poesia "Tio Anastácio" de 1958 do livro "De fogão em Fogão", vide as poesias "Seu Esmilindro" "Órfão de Mãe Preta", "Tio Domingos" e "Ode às Missões e ao Índio Missioneiro" todas de 1965 do livro "Potreiro de Guaxos". Sem falar de muitas outras, com o mesmo apelo humanitário, que poderia citar aqui.
Jayme gostava dos festivais, participou com suas composições, de centenas deles(dito pelo mesmo no livro: "50 Anos de Poesia", pag. 8), ganhando inúmeros troféus.
OUTRAS CURIOSIDADES:
- Porto Alegre e o título de cidadão negado ao Jayme:
Poucas pessoas sabem, mas realmente isso aconteceu e está muito bem explicado no livro: "A História da estátua de Jayme Caetano Braun" do ex-vereador do PTB, sr. Elói Guimarães. Na pag.44, conta que na década de 70, um vereador(não cita o nome) havia apresentado para votação na sessão, um título de Cidadão Porto-alegrense ao Jayme. Porém, não alcançou a votação necessária. As explicações contadas pelo sr. Elói no livro e também que ouvi dele ao vivo, diz que a rejeição era contra o vereador proponente do pedido, pois sua atitude foi vista como oportunista. Aqueles labirintos complicados da política que a gente tem dificuldade de entender...
Moral da história: o fato foi publicado na imprensa e sr. Elói Guimarães foi até a casa do Jayme explicar o acontecido e os motivos da rejeição, que não eram contra ele, dizendo também que iriam encaminhar uma nova proposição(já pré-aprovada por todos os 21 vereadores), eis que o Jayme após ouvir calmamente todo o relato, na sua sapiência, largou a seguinte frase: "Olha chê, te fico agradecido, mas não dá para continuar atirando sal na ferida!"
E não aceitou de forma alguma a nova proposição.
Somente décadas depois, em 26 de novembro de 1998(poucos meses antes de falecer), a câmara de vereadores de Porto Alegre, com proposição encaminhada pelo vereador João Carlos Nedel(natural de São Luiz Gonzaga) corrigiu essa falha, sendo entregue o título na 45ª sessão de 1998. No dia, lamentavelmente Jayme não pode estar presente(motivos de saúde) e foi representado por sua esposa Aurora Ramos Braun. Veja link sessão aqui, com as falas e explicações:
- Para alguns era
considerado um artista polêmico, genial e ao mesmo tempo genioso, pois era radical ao defender seu
ponto de vista. Dizia o que tinha que dizer; gostassem ou não.
- Uma vez ao ser
comparado a um corvo, devido a seu gosto por roupas escuras, respondeu: “O
corvo é uma ave higiênica, que limpa todos os campos”.(fonte ZH)
- Seu ultimo CD: Êxitos 1
(lançado dias após sua morte) estava pronto com mais de ano de antecedência; o
lançamento havia sido adiado (a seu pedido) pois queria estar em melhores
condições de saúde...Essa gravação eu considero que foi a mais difícil para ele gravar, sua voz refletiu o estado de saúde. Nela não vemos o esplendor e a potência que tanto caracterizou seu trabalho.
- Dentre seus companheiros
e parceiros musicais destacam-se: Noel Guarany, Cenair Maicá, Pedro Ortaça,
Lucio Yanel, Glênio Fagundes, Chaloy Jara, e os mais "novos" Gilberto Monteiro e Luiz Marenco(este, foi o que mais gravou a obra do Jayme) .
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Jayme com dois de seus maiores parceiros: Cenair Maicá(e) e Chaloy Jara(centro) Foto cortesia prof. José Francisco Alves |
- Recebeu ao longo de sua
carreira inúmeras premiações e homenagens: destaque especial no prêmio Açoriano
de Música (1997), troféu Simões Lopes Neto, maior honraria concedida pelo
Governador do estado (1997), Troféu Laçador de Ouro (1997) e Medalha Cidade de porto Alegre(1995)
https://leismunicipais.com.br/a1/rs/p/porto-alegre/decreto/1995/1122/11227/decreto-n-11227-1995-concede-a-medalha-cidade-de-porto-alegre-a-pessoas-e-entidades-que-menciona?r=c.
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Prefeito Tarso Genro entregando Medalha da Cidade de Porto Alegre 20 de março de 1995. Foto, cortesia: Aurora Ramos Braun |
- Foi escolhido como patrono da feira do livro de São Luiz Gonzaga em 1994.
-Recebeu título de Cidadão porto-alegrense da câmara municipal em 26 novembro de 1998(vide explicações acima).
- Foi instituído em sua
homenagem, na data de seu aniversário, 30 de Janeiro, o “Dia do Payador” com
lei estadual de N° 11.676/01 de autoria do Deputado estadual João Luiz Vargas, por iniciativa do poeta e pajador Paulo de Freitas Mendonça, logo após o falecimento de Jayme.
- Os Dois Lenços: devido à
grande admiração por seu tio avô Laurindo Ramos, poeta e Coronel chimango da
revolução de 1923 e 1924 e por influencia de seu parente Ruy Ramos, começou a usar
o lenço branco, sendo apelidado desde moço de “chimango”, chegando até usar como pseudônimo. Muito mais tarde, na
sua maturidade, ao morar em Porto Alegre, capital política dos gaúchos, passou
a usar o lenço colorado.
- Usou em várias publicações antigas alguns pseudônimos: Chimango, Andarengo, Tiarajú e Martin Fierro.(fonte livro "O Grande Payador" do seu Nei Fagundes Machado)
-Me contou o seu Juca Ramos(primo-irmão do Jayme) que o poeta era torcedor gremista, mas
nem por isso deixou de assistir com ele e outros amigos colorados a um GreNal dentro da torcida do
Internacional. Naquela feita,
ao ser quase denunciado ao comemorar um gol do Grêmio, disfarçou e
criativamente disse: “Dá-lhe seus frescos, nós estamos jogando mal, mas vamos
virar essa porcaria...” (como se fosse um fanático torcedor colorado). O que
motivou risadas entre os amigos que sabiam da verdade.
-Outra que me contou o seu Juca Ramos é a de quando Jayme era diretor da biblioteca pública, recebia seguidamente
a visita dele, que na época era estudante e ia lá fazer pesquisas, em certas
vezes Jayme reunia Sr. Juca e outros estudantes e encaminhava todos para sua
sala para “estudar” a Divina Comédia de Dante Alighieri, ao cruzar pela
secretária, uma idosa senhora, ele pedia para não ser importunado, pois
precisava ensinar muitas coisas importantes àqueles jovens estudantes, o que causava
certa admiração na senhora, mal sabia ela que eles iam jogar truco....
-Sobre o dueto com Gildo de Freitas:
Essa história me foi contada pelo seu Pedro Ortaça, pelo seu Juca Ramos e Marquito Moraes(na época com 13 anos).Ocorreu no ano de 1974, Gildo de Freitas(Leovegildo José de Freitas, o maior expoente da trova no Rio Grande do Sul), estava fazendo show em São Luiz Gonzaga e Jayme estava na Timbaúva, na fazenda Santa Terezinha das Rosas, comunicaram o seu Danton Ramos(tio do Jayme e pai do seu Juca) que o Gildo estava em São Luiz, mandaram uma camionete levar Gildo para fazenda. A alegria da chegada do Gildo foi contagiante. Eu consigo imaginar, pois já participei várias vezes das tertúlias naquele local sagrado da poesia gauchesca. Apesar do Gildo estar com dor terrível nos rins, o que o fez ficar deitado o tempo todo numa cama de campanha embaixo das árvores, não impediu da rodada de versos entre ele e o Jayme ter se estendido a tarde toda e noite adentro. Nessa ocasião o Gildo fazia seus versos tradicionais em forma de trova e o Jayme respondia em pajada(décimas). Acho que foi algo inédito, não soube de outro dueto em estilos diferentes... O mais triste de tudo é não ter um registro fotográfico para gente ver. Parece que havia um casal de Brasília, que tinha fotografado, isso me foi contado pelo amigo, o artista plástico Marquito Moraes, que na época tinha treze anos de idade. Caso eu consiga, postarei aqui com certeza esse encontro memorável dos dois maiores gênios da poesia improvisada do Rio Grande do Sul.
Jayme e o "BOCHINCHO": Na verdade são: três Bochinchos.
Bochincho significa no "gauches": briga em baile de rancho de baixa categoria.(dito por Jayme no livro:"Vocabulário Pampeano" de 1973).
1º) O primeiro "Bochincho" é de 1965 no livro "Potreiro de Guaxos"(editora Champagnat).
Poema escrito em oitavas(estrofe escrita em oito versos/linhas), com 11 estrofes .
Começa com: "Chinocas de todo porte
E guascas do queixo roxo..."
2º) O segundo "Bochincho" é do livro "Bota de Garrão"(há uma dúvida da data deste livro se é de 1966 ou 1979).
Este Bochincho é o mais famoso e dá pra notar que foi um aperfeiçoamento do anterior.
Feito todo na estrutura da décima espinela(estrofe escrita em dez versos/linhas), são ao todo 17 estrofes em décimas.
O que deu uma apresentação clássica na obra.
Começa com: " A um bochincho certa feita
Fui chegando de curioso..."
3º) O terceiro chama-se: "O último Bochincho" publicado no livro "Paisagens Perdidas" de 1987(editora Sulina).
Poema escrito em oitavas(estrofe escrita em oito versos/linhas) em 10 estrofes .
Começa com: " A de oito baixos roncava
E o candeeiro estremecia..."
A inspiração para o Bochincho e os boatos:
Existe um boato de que o Jayme havia presenciado uma briga num baile, e que o levou a inspiração para escrever o primeiro Bochincho.
Outro boato, foi que contaram pra ele sobre uma briga feia, em baile na região de São Luiz Gonzaga no início dos anos 60.
E até ouvi, absurdamente(pra não dizer outra coisa), de que ele havia se inspirado em uma frase de poesia de contemporâneo seu. Fui atrás, descobri e mostrei que na verdade foi o contrário, o poeta em questão(alias, também parente meu) ele sim, havia usado uma frase da poesia "Tio Anastácio" de 1958. Era amigo do Jayme e admirador(prestou homenagem ao Jayme em outra poesia).
Provei com fatos que não era verdade, não tinha sentido nenhum.
Apenas sou obrigado a registrar pois sei muito bem que amanhã ou depois poderão vir com este ou outros "causos".
Mas sinceramente, acredito que a inspiração do poema Bochincho(1965), veio mesmo da obra "Martin Fierro", livro de José Hernandez que o Jayme era admirador. Os outros dois "Bochinchos" foram aperfeiçoamentos da mesma ideia.
Jayme declamando poesias de outros:
Conheço só a genial obra "Tobiano Capincho" de Aureliano de Figueiredo, o qual Jayme era grande admirador e fez questão de interpretar essa obra no seu primeiro registro fonográfico no álbum: "Payador-Pampa-Guitarra" em parceria com Noel Guarany. Nota-se pela sua interpretação magistral de que além de poeta e pajador, Jayme era um grande declamador.
-Abaixo uma foto rara:
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Da esquerda para direita:1º) Jayme Caetano Braun; 2º) Apparício Silva Rillo; 3º) Padre Heitor Rosetto; 4º) Cláudio Oriandi Rodrigues(tio Manduca); 5º)?; 6º) José de Figueiredo Pinto(Zeca Blau); 7º) Pedro Palmeiro e 8º) Antônio Manoel Palmeiro. Agradecimento a João Sampaio, José Luiz dos Santos, Tadeu Martins e Lúcia Palmeiro pela ajuda identificação dos nomes.(falta só o 5º, quem souber avise...) |
- OUTRA foto rara:
Jayme foi figura ilustre nos eventos da Mostra da Arte Missioneira existente em São Luiz Gonzaga. Era o artista mais aguardado. Tive a honra e alegria de ver e ouvir as suas apresentações.
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Cenair Maicá, Jayme, Chaloy Jara e Tato Maicá foto-Péricles Luconi, o famoso 007( pai de Clio Luconi) |
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2ª Mostra da Arte Missioneira em São Luiz Gonzaga-RS 1983 Local Ginásio esportes(Ginasião) JB Loureiro Noel Guarani, Pedro Ortaça, Cenair Miacá, Chaloy Jara e Dedé Cunha obs: Lamentavelmente o Jayme não aparece, pois estava no lado do palco obs 2: eu tive a honra de assistir essa apresentação. |
Seção Fotos Jayme com amigos:
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Jayme em Rio Verde de MT, Mato grosso do Sul 1984 Junto com os conterrâneos médicos: Wanderlan Marques Dorneles Silveira(esq.) e Winston Ramos de Almeida(dir.) |
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Em Rio Verde/MS: Jayme, Cenair Maicá e Chaloy Jara juntamente com Winston e Wanderlan Apresentação na cidade em 1984. |
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Jayme com os netos: Eduardo e Luciano |
-Até o momento, Jayme Caetano Braun, recebeu três esculturas em sua homenagem,
feitas por Vinícius Ribeiro escultor:
Toda minha história de retratação do Jayme começou com uma estatueta que a administração municipal de São Luiz Gonzaga, do então prefeito Jauri Gomes de Oliveira, me encomendou em maio de 2002:
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Aqui no dia da entrega. |
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Novamente divulgado em junho... |
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Divulgado também no Correio do Povo. |
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E no Jornal do Comércio. |
Como se tratava apenas de uma maquete(protótipo) para a escultura do pórtico(que não saiu), não conto como homenagem relevante ao Jayme. Porém não posso negar que foi graças a essa pequena estatueta que fui convidado para fazer as três abaixo. Veja:
1ª) Em 2005, uma estatueta de 1 m, feita em concreto armado e está no CTG Galpão de Estância-SLG,
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Estatueta Jayme CTG Galpão de Estância-SLG-RS-2005 |
2ª) Em 2006, uma estátua de 2 metros de altura em concreto armado e está no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho (Acampamento farroupilha) em Porto Alegre-RS. Esta foi a primeira "estátua" homenageando o poeta e pajador.
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Com folclorista Paixão Côrtes na inauguração estátua Jayme Caetano Braun Porto Alegre-RS-02/12/2006 |
3ª) Em 2009, o monumento em sua cidade natal São Luiz Gonzaga, de 6 metros de altura, em concreto armado.
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Clênio, Cássius e Vinícius início ferragens monumento JCB-2007
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Inauguração monumento Pajador JCB São Luiz Gonzaga-RS- 10/10/2009 |
Finalizando:
Foi sempre
a emoção que norteou o poeta.
A
inspiração (cerne da sua poesia) saía abrindo caminhos, na frente da informação
e da rima.
Esse era o
grande diferencial de Jayme Caetano Braun:
“O
POETA ERA TODO INSPIRAÇÃO!”
Pesquisa
Vinícius Ribeiro 2°
Semestre 2005.
Colaboração:
Senhora Gelsa Ramos de
Moraes
Entrevistados:
Sr. Ataliba
dos Santos e Sr. Juca Ramos.
Revisão final:
-Sra. Aurora Ramos Braun(feita em
10 de fevereiro de 2009).
-Danci Ramos,poetisa(feita em 30 de Janeiro de 2015).
Fontes
– Cartório de registro
civil de São Luiz Gonzaga
– Cartório de registro
civil de Bossoroca
- Jornal Zero Hora (Porto
Alegre) Datas e algumas citações nas "Curiosidades"
- Jornal A Notícia (São
Luiz Gonzaga)
- Livro "Pioneiros da Bossoroca" do sr. Ilvo Jorge Bertin Fialho.
- Outros: Parentes e amigos do Jayme que entrevistei e já citei no início.
Para saber sobre as duas fazendas que considero como uma das nascentes crioulas da poesia gauchesca e que marcaram a vida e Jayme, clica aqui:
Peço encarecidamente para quem for usar essas imagens, tenham a grandeza de dar os créditos!😊
Para saber o motivo da 2ª via da certidão de nascimento constar como emitida pela cidade de Bossoroca, favor clicar aqui: (na época 1924, Timbaúva fazia parte do 3º Distrito de SLG,assim como Bossoroca que era conhecida como Igrejinha ou vila dos Cataventos)
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Certidão batismo, documento gentileza paróquia São Luiz Gonzaga, via secretária:Iolanda Pereira Martins. |
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Certidão original do batismo, gentileza viúva Aurora Ramos Braun. |
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Certidão crisma Jayme. Ele foi crismado aos três anos de idade devido a vinda do bispo de Urugaiana Don Hermeto José Pinheiro. Este documento foi uma gentileza paróquia São Luiz Gonzaga: Leane Colbeck de Oliveira.
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Meu avô foi padrinho de Crisma do Jayme(ele com apenas três anos), vide nº112 da lista. E acabou também crismado aos 24 anos(para aproveitar vinda do bispo), vide nº122 lista. |
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Documento: gentileza da viúva Aurora Ramos Braun. |
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Fotocópia do livro original paróquia católica matriz-SLG. Batismo do Jayme. Gentileza paróquia São Luiz Gonzaga-RS. |
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Foto primeira comunhão Jayme em São Luiz Gonzaga com a idade de 09 anos(quase dez).Gentileza do saudoso amigo e pesquisar da obra do Jayme: Hilton Araldi de Passo Fundo-RS. |
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Atestado de dispensa serviço militar, que o Jayme somente foi tirar em 1969. Este documento raro é uma gentieza da viúva Aurora Ramos Braun.
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Fundos do documento do Jayme da dispensa serviço militar. |
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Certidão óbito |
Para saber sobre João da Cunha Vargas(João Vargas do Alegrete):
http://criteriosamente.wordpress.com/2013/06/19/joao-da-cunha-vargas/
Para visualizar melhor as imagens, clicar com botão direito do mouse e abrir em nova aba!
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