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domingo, 25 de maio de 2008

Breve Histórico de Jayme Caetano Braun






Jayme Caetano Braun
         -poeta e payador-
















ESCLARECIMENTO

Antes de começar uma obra, procuro sempre fazer o histórico do homenageado; aqui no caso, fiz com muita alegria, pois além de ser grande admirador de Jayme Caetano Braun, sou primo de 3ºgrau dele (quando o vivente é bom, a gente puxa parentesco até o 5º grau). Não sou e nem tenho pretensões de ser historiador. 

Um dos objetivos de estar divulgando esse histórico é de corrigir vários erros existentes na internet, sobre a vida do poeta. 
Um deles é de que sua mãe era uma "chirua bugra", na verdade sua mãe, D. Euclides Ramos Caetano, era filha de produtores rurais da Timbaúva(veja foto abaixo) outro é sobre o local exato de seu nascimento e porquê ocorreu lá. 

Neste trabalho entrevistei várias pessoas e tenho documentos e certidões de nascimento, casamento e morte, para provar o que aqui está escrito. 
Nesta pesquisa, tive o auxílio da D. Gelsa Ramos de Moraes, prima-irmã do Jayme, poetisa e payadora do mais alto nível, pessoa que tinha estreita relação com o poeta; assim como do sr. Juca Ramos(irmão de Dona Gelsa). 
Também ouvi muitos relatos do sr. Ataliba dos Santos(quando jovem, ajudou Jayme no bolicho da Serrinha). 
Obtive a revisão final deste simples histórico na data de 10 de fevereiro de 2009, pela D. Aurora(Bréa)Ramos Braun, 2ª esposa e viúva do homenageado e para completar em 30 de Janeiro de 2015 uma revisão da poetisa e prima Danci Ramos(irmã de Gelsa e Juca Ramos).

Último aperfeiçoamento: 03 de Julho de 2016.


SOLICITO àqueles que queiram usar as informações deste histórico, que não se esqueçam de citarem os créditos! 

Já li em vários sites trechos deste trabalho e até ele inteiro sem citação nenhuma. Chegando ao absurdo de citarem como sendo deles as informações...
Esclareço que existem alguns livros que foram autorizados a usar este histórico. Uns "copiaram e colaram", outros citaram corretamente. 




Jayme Caetano Braun

Poeta, tradicionalista, declamador e payador (do castelhano; lê-se: pajador). 
Pajador: Aquele que faz versos de improviso com temática opinando sobre algo, ao som de violão solo em estilo de milonga.

Símbolo maior da poesia gauchesca; especializou-se em décimas (poemas com estrofes de 10 versos).
Em seus versos retratou, com conhecimento de causa, os hábitos costumes e vicissitudes do homem campeiro do sul do Brasil.
O peão de estância, o gaúcho andarilho, o índio missioneiro e muitas outras figuras regionais ganharam vida em seus poemas.
A formação dos Sete Povos das Missões, a epopéia farroupilha, foram alguns dos seus muitos temas.
Eterno filósofo galponeiro, em suas reflexões, buscou as respostas da existência na visão do homem simples.
Sua temática ia da raiz às estrelas, sendo ao mesmo tempo regional e universal; seus versos, mescla de história, costumes e atualidades, exaltaram a vida do homem excluído, pobre e oprimido.
Foi a voz contra as injustiças e desmandos da sua aldeia e do mundo.

Analisando sua obra dividi-a em três importantes partes:
A da poesia xucra, campeira, das coisas do dia a dia que não conseguimos notar e com ele enxergamos...
Depois levantou bandeiras sendo a voz dos excluídos que estavam ao nosso lado e não havíamos notados...
No final, quando o peso dos anos foi iluminando o entendimento, procurou na filosofia gaudéria, descobrir o sentido da vida e do mundo.Passou a ser uma Tocha acessa iluminando o caminho para nós que viemos atras, tropeçando na escuridão.


 
É considerado pelo meio tradicionalista, como referência gauchesca da essência rio-grandense.
Deixou sua obra imortalizada em vários livros e discos.


Biografia

Livros: 

- Galpão de Estância (1954)
- De Fogão em Fogão (1958)
- Potreiro de Guaxos (1965)
- Bota De Garrão (1966)
- Brasil Grande do Sul (1966)
- Paisagens Perdidas (1966)
- Vocabulário Pampeano – Pátria, Fogões e Legendas (1987)
- Payador e Troveiro (1990)
- Antologia Poética: 50 anos de poesia (1996)
- Payada Cantares(2003)(obs:Resgate do acervo de Jayme)

Discos:

- Payador, Pampa e Guitarra de Noel Guarany (convidado especial) (1974)
- Payador (1983)
- A volta do payador (1984)
- Troncos Missioneiros (juntamente com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça) (1987)
- Poemas Gaúchos (1993)
- Payadas (1993)
- Paisagens Perdidas (1994)
- Jayme Caetano Braun (1996)
- Acervo Gaúcho (1998)
- Êxitos 1 (1999)
- Êxitos 2 (2000)
- Payada, Memória & Tempo (2006)(obs:Resgate do acervo de Jayme)
- Payada, Memória & Tempo Vol. 2 (2008)(obs:Resgate do acervo de Jayme)

- Payada, Memória & Tempo Vol. 3 (2009)(obs:Resgate do acervo de Jayme)
- A volta do Farrapo (2010)(obs:Resgate do acervo de Jayme)


Histórico

Nome completo: Jayme Guilherme Caetano Braun

Nome mãe: Euclides Ramos Caetano Braun

Nome pai: João Aloysio Thiesen Braun

Avós maternos: Aníbal Antônio Souza Caetano e Florinda Ramos Caetano

Avós paternos: Jacob Braun e Guilhermina Thiesen Braun

Nascido em 30 de Janeiro de 1924 às 8:30 na fazenda Santa Catarina de seus avós maternos (Aníbal Caetano e Florinda Ramos) na localidade da Timbaúva (Na época Timbaúva fazia parte do 3° Distrito de São Luiz Gonzaga) hoje faz parte do município de Bossoroca(que na época também fazia parte do   distrito de São Luiz Gonzaga, porém com o nome de Igrejinha ou Capão da União ou Vila dos Cata-Ventos).

Irmãos: 
Maria Florinda, Terezinha, Judite, Zélia e Pedro Canísio. (Jayme foi o 2° filho do casal Braun)



Foto ao lado, pais do Jayme: Sr. João Aloysio Braun e D. Euclides Ramos Caetano
 

Pais

Era filho do casal João Aloysio Thiesen Braun e Euclides Ramos Caetano(Dona Quida).
Seu pai era filho de imigrantes alemães, professor e diretor do colégio elementar Pinheiro Machado; respeitado nas comunidades por onde passou (foi delegado de educação nas cidades de Santa Cruz e Passo Fundo).
Sua mãe era filha de família tradicional pecuarista, da localidade chamada Timbaúva (Antigo 3° Distrito de São Luiz Gonzaga, hoje município de Bossoroca).
Sobre seu pai, Jayme descreve a grande admiração que sentia por ele na emocionante poesia “Oferta” (Livro: De Fogão em Fogão).
De sua mãe, precisamente, herdou a veia poética; sua avó materna Florinda Ramos Caetano, irmã do poeta e coronel revolucionário Laurindo Ramos, dominava o verso de improviso e recitava seus poemas no ambiente familiar criando forte estrutura poética que Jayme veio a conviver e herdar mais tarde.

Nascimento

O casal João Aloysio e Euclides, após casarem em São Luiz no ano de 1920, passaram a residir na Avenida Senador Pinheiro Machado n° 1934 em frente à antiga Praça da Lagoa (Atual Praça Cícero Cavalheiro) no endereço onde existe hoje a Casa da Alface, na época propriedade do avô materno de Jayme, sr. Anibal Caetano. Nesta casa é que Jayme foi fecundado!
Em Janeiro de 1924 o casal Braun, como de costume, foi passar as férias escolares na Timbaúva, na fazenda Santa Catarina de propriedade do avô Sr. Aníbal Caetano.
Nesta feita havia um motivo maior para a ida até a localidade da Timbaúva... 
Dona Euclides Ramos Braun, grávida do segundo filho, confiava muito na parteira daquela localidade: Dona Antônia.



 
Meu avô paterno Anajande Ramos Ribeiro(primo-irmão de Dona Euclides) foi quem chamou as pressas a parteira no seu cavalo "Pimenta".
O Poeta Maior: Jayme Caetano Braun, veio ao mundo em 30 de janeiro de 1924. Nasceu num quarto junto à sala, por intermédio da prestativa parteira Dona Antônia. 
Permanecendo na fazenda durante todo o período de resguardo(40 dias dentro do quarto) até o retorno de sua mãe para a casa em São Luiz.
Poucos dias após seu nascimento,em 07 de Fevereiro de 1924, Jayme foi registrado no posto designado no 3° Distrito de São Luiz Gonzaga. No documento consta como declarante o Senhor Anajande Ramos Ribeiro e que o casal Braun era domiciliado em São Luiz Gonzaga e estava a passeio no Distrito.  Meu avô foi de cavalo(ver foto anexo) da fazenda Santa Catarina(Timbaúva) até o posto do cartório designado(mais tarde chamado de Igrejinha e atualmente de Bossoroca), cerca de 30 km de distancia. Foi a pedido do Sr. João Aloysio Braun, pois este sendo professor estadual, já havia retornado para São Luiz Gonzaga devido aos preparativos para o retorno das aulas.

N° do registro de nascimento: n° A-6; folha n° 16, n° ordem 21; data 07/02/1924.

Infância

Cresceu o menino nas imediações da velha Praça da Lagoa.

A missioneira São Luiz Gonzaga com sua riqueza histórica aos poucos ia sendo descoberta pelo olhar atento do pequeno poeta.
Desde tenra idade conviveu com a vida rural nas fazendas e esse convívio (que procurou manter por toda a vida) foi armazenando na alma do pajador, o riquíssimo conteúdo emotivo que serviu de espinha dorsal para suas poesias.
Nas suas férias escolares de inverno e verão seguia rumo a Timbaúva, seguindo sempre o mesmo trajeto ou seja via estrada velha que ia para antiga Vila Treze(atual Santo Antônio das Missões), cruzando pela ponte do Rio Piratini(linda ponte inglesa de ferro, que era para São Luiz do Maranhão e o conterrâneo Sen.Pinheiro Machado achou melhor "trazer" para São Luiz Gonzaga
...). 
Essa mesma ponte Jayme imortalizou na poesia do Tio Anastácio.


Adolescência

A família Braun, devido à transferência de Sr. João Aloysio, mudou-se para Cruz Alta em 1938 onde foi diretor de escola.

Em 1939 foram para Santa Cruz do Sul, com o Senhor Braun sendo delegado de ensino.
De 1940 até 1942, seu pai assumiu cargo de delegado de ensino em Passo Fundo.
Retornaram para Cruz Alta, lá seu pai se aposentou e faleceu.
Após a morte de seu pai a família passou a residir em Porto Alegre.
Em Porto Alegre, Jayme estudou na Colégio Estadual Julio de Castilhos(Julinho) o referente ao início do ensino médio(2º grau), desistiu dos estudos por não ser o que queria e retorna para São Luiz Gonzaga, vindo a morar na fazenda Santa Terezinha (Timbaúva) de propriedade de seu primo/tio Danton Victorino Ramos, a quem considerava como seu segundo pai. 
Danton Ramos era primo irmão de dona Euclides e era casado com Aracy Caetano Ramos(Dona Cecy) irmã de dona Euclides, por isso ele era primo e tio ao mesmo tempo de Jayme.
Ficou morando e trabalhando na fazenda até sair para casar.
Jayme, com seus pais e irmãos.

Casamento

Casou-se com Nilda Aquino Jardim, filha de Rivadavia Romeiro Jardim e Faustina Aquino Jardim, no dia 20 de dezembro de 1947.

Passou a morar na fazenda Piraju(localizada entre a cidade de São Luiz e o seu distrito Serrinha) de propriedade de seu sogro, permanecendo lá o período da Lua de Mel e pouco tempo mais... 
Devido a seu temperamento forte e determinado, teve desentendimento com o capataz com relação as lidas da fazenda.
Jayme tinha seu sistema contrário em algumas coisas ao do capataz.
Seu sogro, sr. Rivadávia, gostava demais do sistema do capataz e preferiu "mantê-lo"...
Jayme então saiu da fazenda para morar perto dali, na Serrinha (Vila Distrito de São Luiz Gonzaga) naquela localidade abriu um autêntico bolicho de campanha (teve para isso a ajuda financeira do sogro e de seu tio Danton Ramos) onde ocorriam rodadas de poesia e música até tarde da noite; a sua casa era nos fundos do bolicho.
Estas importantes informações recebi do Sr. Ataliba dos Santos filho do capataz e que foi morar com Jayme e D. Nilda ajudando no bolicho.
Sobre essas tertúlias contou o Sr. Ataliba(que na época era rapazote de 12 anos): “O Jayme quando inspirado ficava, às vezes, olhando para um palito de fósforo entre os dedos (com som de violão sendo dedilhado ao fundo) e as payadas brotavam magicamente”.
Permaneceu “bolicheando” por pouco mais de ano(faliu o bolicho devido a sua visão mais artística do que comercial), depois passou a residir na cidade (São Luiz Gonzaga) na Rua Marechal Floriano (fundos hospital de caridade ) ali nasceram seus dois filhos: Marco Antonio Jardim Braun e José Raymundo Jardim Braun.

Vida profissional e política

Após sua experiência como bolicheiro, começou  a participar de campanhas políticas (daqueles ao qual ele admirava) como pajador
(final da década de 40).
Seu poema “O Petiço de São Borja” referente a Getúlio Vargas foi publicado na época em revistas e jornais do país.
Participou na campanha de seu primo e padrinho político Ruy Ramos(primo irmão da mãe do Jayme, ao qual ele considerava como um tio) com o poema “O Mouro do Alegrete”.
Nos anos seguintes participou nas campanhas de Leonel Brizola, João Goulart e Egídio Michaelsen.
Na campanha de Ruy Ramos a deputado federal, apresentava um programa radiofônico na rádio São Luiz; contratado pelo seu tio Danton Ramos(Danton era casado com a irmã da mãe do Jayme), para divulgar a candidatura de Ruy. Devido ao sucesso, obtido em grande parte pelos seus versos de improviso, o programa teve continuidade.
Em 1948 iniciou o programa, na mesma rádio, chamado “Galpão de Estância” (existente até os dias atuais, atualmente a cargo de Alcides Figueiredo) juntamente com Dangremon Flores e Darci Fagundes. Deste nome veio a surgir mais tarde o 1° CTG em São Luiz Gonzaga chamado CTG Galpão de Estância, um dos mais antigos do estado. 
Jayme foi um dos fundadores e seu tio materno Nico Caetano foi o primeiro patrão.
 

A convite de Ruy Ramos(em boa hora) foi para Porto Alegre(entre 1951 e 52). Passou a ser funcionário do IPASE (Instituto de Previdência e Assistência do Servidores do Estado, órgão federal) era auxiliar de farmácia, depois passou a ser auxiliar da tesouraria, por um período foi diretor da Biblioteca do estado RS de 1959 a 1963(convite do amigo e então governador Leonel Brizola) após retornou a tesouraria e mais tarde passou para o IAPAS(antigo Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social, hoje atual INSS) como fiscal da previdência onde ficou até se aposentar.



Incentivado e apoiado por Ruy Ramos concorreu a deputado estadual pelo PTB no ano de 1962, não alcançando votação suficiente. 
Esta passagem política trouxeram mágoas que o acompanharam por muito tempo (vide poema abaixo "Bilhete a João Vargas").





Em 1973 inicia no programa semanal Brasil Grande do Sul, na Rádio Guaíba, durante 15 anos. Com muito sucesso.


Os direitos autorais de seus vários livros e discos serviram como complemento de renda, pois o poeta, como muitos que trabalham com a arte, enriqueceram mais a alma do que os bolsos.

Segundo Casamento

Separou-se de sua 1° esposa Sra. Nilda Jardim em 11/07/88 divorciando-se em 26/06/95.
Casou-se com Sra. Aurora de Souza Ramos (Bréa) em 1° de setembro de 1995 na cidade de Porto Alegre. Teve um enteado: Marcelo Bianchi; da união com Aurora Ramos registrou um filho: Cristiano Ramos Braun.


Saúde

A sua saúde foi abalada em muitas situações: quatro pontes de safena, angústias, desilusões e fortes depressões.
Várias situações no decorrer de sua emotiva existência colaboraram para o surgimento de seus problemas de saúde: 

No início, quando nas suas primeiras poesias, foi o desestímulo (por parte de alguns) um adversário forte de ser superado.
Com o passar do tempo superou o pouco caso que faziam de sua obra, assim como as críticas "acadêmicas" que recebeu pelo seu estilo nativo; 
Outro fator foi a decepção no pleito da candidatura a deputado estadual em 1959 quando sua mensagem não foi compreendida pelo seu próprio povo; sobre esse fato, ele mesmo diz na poesia feita ao seu grande amigo João Vargas do Alegrete de título Bilhete ao João Vargas do Alegrete.

Abaixo trecho dela:

“Bilhete ao João Vargas"
...Fiz o que o gaúcho faz,
Sem admitir pretexto
E fui – como gato a cabresto,
“Só nas patinhas de trás”,
Tu sabes – na santa paz
Que o gaúcho não morreu,
Mas na terra onde nasceu
-Até periga a verdade,
Quando eu gritei: Liberdade!
Só o eco me respondeu... ”


  (Ver no final desta postagem os poemas inteiros!)
 

E por fim, talvez o que mais tenha despedaçado o coração do poeta tenha sido a dor pela perda de seu filho primogênito, Marco Antonio aos 30 e poucos anos de idade por abalos no sistema nervoso.

Morte
Faleceu no dia 8 de julho de 1999 às 5 horas e 30 minutos, aos 75 anos de idade, na clínica São José em Porto Alegre, vítima de complicações cardiovasculares. O corpo foi velado às 17 horas no Salão Nobre Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, sede do governo estadual gaúcho; foi enterrado no cemitério João XXIII em Porto Alegre.

Curiosidades
(algumas, retiradas dos jornais que prestaram homenagens no dia de sua morte)

- Seus primeiros poemas foram publicados em 1943, no jornal A Notícia de São Luiz Gonzaga, assim como seu 1° Livro Galpão de Estância, em 1954.
- Seus ídolos na poesia foram: Laurindo Ramos (tio avô); Juca Ruivo; Balbuino Marques da Rocha; João Vargas do Alegrete e os insuperáveis Athaualpa Yupanki e José Hernandez (Martin Fierro).
- Foi um dos fundadores do CTG Galpão de Estância de São Luiz Gonzaga, um dos mais antigos do estado.
- Foi um dos fundadores do conselho coordenador do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), sendo presidente em 1959.
- Foi um dos fundadores da Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniram no final dos anos 50, existente até hoje.
- Considerado, juntamente com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça um dos “Troncos Missioneiros” fundadores do estilo musical chamado: Missioneiro; marca registrada da região das missões e do Rio Grande do Sul.
- Na infância, juventude e também na maturidade (sempre que possível) passava suas férias nas fazendas de seu avô Aníbal Caetano ou de seu tio Danton Ramos(próximas uma da outra) na localidade da Timbaúva.

- Pelo gosto adquirido ao trabalhar anos na farmácia do IPASE(Instituto de Previdência e Assistência do Servidores do Estado) tornou-se um estudioso em remédios caseiros. Por isso manifestava seu desejo em fazer medicina, mas fez apenas o início do que hoje seria o ensino médio. 
Dizia que todo missioneiro tinha a obrigação de ser um curandeiro. 

obs: Jayme não cursou medicina e nem jornalismo como alguns confundem(Jayme não cursou nenhuma faculdade!); desistiu dos estudos do Colégio Estadual Julio de Castilhos(Julinho) completou apenas o que hoje seria o 1º ano do Ensino Médio atual
Relato feito pelo mesmo no programa Sem Fronteiras da rádio Gaúcha apresentado pelo radialista Glênio Reis.

-Sua mãe não era e nunca foi uma "chirua bugra", D. Euclides Ramos Caetano, era filha de produtores rurais da Timbaúva. Esta confusão originou-se de uma poesia onde Jayme diz ser "Tetraneto de cacique, bisneto de curandeira,..."

- Para alguns era considerado um artista polêmico, genial e ao mesmo tempo genioso, pois era radical ao defender seu ponto de vista. Dizia o que tinha que dizer; gostassem ou não.

- Uma vez ao ser comparado a um corvo, devido a seu gosto por roupas escuras, respondeu: “O corvo é uma ave higiênica, que limpa todos os campos”.

- Seu ultimo CD: Êxitos 1 (lançado dias após sua morte) estava pronto com mais de ano de antecedência; o lançamento havia sido adiado (a seu pedido) pois queria estar em melhores condições de saúde...

- Dentre seus companheiros e parceiros musicais destacam-se: Noel Guarany, Cenair Maicá, Pedro Ortaça, Lucio Yanel, Glênio Fagundes, Chaloy Jara e Gilberto Monteiro.

- Recebeu ao longo de sua carreira inúmeras premiações e homenagens: destaque especial no prêmio Açoriano de Música (1997), troféu Simões Lopes Neto, maior honraria concedida pelo Governador do estado (1997), Troféu Laçador de Ouro (1997).

- Foi instituído em sua homenagem, na data de seu aniversário, 30 de Janeiro, o “Dia do Payador” com lei estadual de N° 11.676/01 de autoria do Deputado estadual João Luiz Vargas.

- Os Dois Lenços: devido à grande admiração por seu tio avô Laurindo Ramos, poeta e Coronel chimango da revolução de 1923 e 1924 e por influencia de seu parente Ruy Ramos, começou a usar o lenço branco, sendo apelidado desde moço de “chimango”. Muito mais tarde, na sua maturidade, ao morar em Porto Alegre, capital política dos gaúchos, passou a usar o lenço colorado.

-Era torcedor gremista, mas nem por isso deixou de assistir com amigos colorados a um GreNal na torcida do Internacional, como contou-me o seu primo-irmão Sr. Juca Ramos. Naquela feita, ao ser quase denunciado ao comemorar um gol do Grêmio, disfarçou e criativamente disse: “Dá-lhe seus frescos, nós estamos jogando mal, mas vamos virar essa porcaria...” (como se fosse um fanático torcedor colorado). O que motivou risadas entre os amigos que sabiam da verdade.

-Outra que me contou o Sr. Juca Ramos é a de quando Jayme era diretor da biblioteca pública, recebia seguidamente a visita dele, que na época era estudante e ia lá fazer pesquisas, em certas vezes Jayme reunia Sr. Juca e outros estudantes e encaminhava todos para sua sala para “estudar” a Divina Comédia de Dante Alighieri, ao cruzar pela secretária, uma idosa senhora, ele pedia para não ser importunado, pois precisava ensinar muitas coisas importantes à aqueles jovens estudantes, o que causava certa admiração na senhora, mal sabia ela que eles iam jogar truco....



Finalizando:

Foi sempre a emoção que norteou o poeta.
A inspiração (cerne da sua poesia) saía abrindo caminhos, na frente da informação e da rima.
Esse era o grande diferencial de Jayme Caetano Braun: 
“O POETA ERA TODO INSPIRAÇÃO!”


Pesquisa
Vinícius Ribeiro 2° Semestre 2005.
Colaboração:
Senhora Gelsa Ramos de Moraes
Entrevistados: 
Sr. Ataliba dos Santos e Sr. Juca Ramos.
Revisão final:
-Sra. Aurora Ramos Braun(feita em 10 de fevereiro de 2009).
-Danci Ramos,poetisa(feita em 30 de Janeiro de 2015).

Fontes

– Cartório de registro civil de São Luiz Gonzaga
– Cartório de registro civil de Bossoroca
- Jornal Zero Hora (Porto Alegre)
- Jornal A Notícia (São Luiz Gonzaga)
- Outros



Obs: Para saber muito mais sobre Jayme Caetano Braun, clique aqui:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2007/09/blog-post_7622.html










 

Para saber o motivo da 2ª via da certidão de nascimento(na época era 3º Distrito de SLG, depois chamava Igrejinha e mais tarde Bossoroca) constar como emitida pela cidade de Bossoroca, favor clicar aqui:
http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br/2012/05/as-origens-do-registro-de-nascimento-do.html  










Para saber sobre João da Cunha Vargas(João Vargas do Alegrete):
http://criteriosamente.wordpress.com/2013/06/19/joao-da-cunha-vargas/





Para visualizar melhor as imagens, clicar com botão direito do mouse e abrir em nova aba!

7 comentários:

nativismo disse...

Parabéns.
Até que enfim encontro um histórico sério sobre o Pajador Jayme Caetano Braun.
Normalmente é um copiando do outro e os erros vão se muiltiplicando, mas aqui, não. Há uma pesquisa documental.
Sucesso
Paulo de Freitas Mendonça

Daniel disse...

Tchê, Vinicius,

Que belo documentário, rico em detalhes nas informações.
Parabéns!!!

Forte abraço,
Daniel Kara

Thais Silveira disse...

Olha, muita mas muito obrigada mesmo, isso me ajudou mto para fazer o meu trabalho de hisstoria do colegio sobre o Jayme Caetano Braun ! AGRADECIDA :)

tarcisio t v rosa disse...

eu realmente gostaria que o gurizada de hoje que se apega a qualquer ritimo sem fundamento lesse e ouvisse este poeta e entendesse a vidada doa desvalidos como jaime entendia .muito obrigado Vinicius

joão carlos disse...

Vinicius, eu sou até hoje fã do Jaime, tenho parentes em São Luiz e na Bossoroca, sou de Cruz Alta mas moro hoje em Chapecó, declamo poesias dele, nos bailes de CTG,gosto de todas, mas adoro declamar ''ARROZ DE CARRETRO''abraço, e parabéns pela obra.
joão carlos santos
chapecó-sc 03/07/2013

Unknown disse...

Parabens amigo. Realmente os dados mais completos sobre o Jayme.
Sobre : "Sonhava fazer medicina, sem terminar o ensino médio, tornou-se um especialista em remédios caseiros. Dizia que todo missioneiro tinha a obrigação de ser um curandeiro."
Liguei para o Colégio Julinho em Poa para solicitar o histórico escolar do Jayme e me responderam que só um familiar pode requerer.
A Dona Aurora me disse que ele chegou a cursar medicina e até recebeu uma homenagem do curso. Então eles permitiram ele se matricular sem terminar o segundo grau?
Forte abraço
Hilton Araldi - Passo Fundo
hiltonaraldi@gmail.com

Anônimo disse...

Caro Vinícios, parabéns pela pesquisa e esclarecimentos fidedignos. Sou de Lages, sc e sou da família Ramos. Para surpresa e "orgulho já me achando parente", descubro em sua publicação, que a mãe do Jayme também é Ramos (D. Euclides Ramos Caetano). Gostaria que , se possível, me oriente em relação a genealogia dele pelo lado de sua mãe. Para me contatar, se quiseres, meu email é: prendacomercio@ig.com.br e meu telefone: (49) 8408 5264. Grande abraço e mais uma vez parabéns.